Legalismo

Escolhendo o amor ao invés do legalismo (parte final)

Artigo escrito originalmente por Leslie Ludy, e publicado aqui.
Traduzido, com permissão, por Francine Veríssimo.

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Dois: Cuidado com o espírito crítico 

Peça a Deus para te dar Seu coração em relação aos cristãos que não compartilham das mesmas convicções que você. Se você está nutrindo um espírito crítico contra outros crentes, você não está refletindo verdadeira separação ao Senhor. Sim, certos princípios fundamentais do Cristianismo são realmente não-negociáveis. E nós devemos estar preparados para dividir e separar nesses pontos, ou até mesmo morrer para preservá-los, se necessário for, conforme outros cristãos fizeram através da História (veja I Coríntios 5:11, mas tenha em mente que até mesmo esses passos devem ser tomados em amor e não dureza).

Muitas outras áreas da vida não são uma parte central ao Evangelho, e ainda assim nós frequentemente tentamos fazer com que sejam.

Se você está convencida de que uma pessoa não pode ser cristã a não ser que seja homeschooled, cante somente hinos, vista-se de uma determinada maneira, entre outras coisas, então você precisa ganhar um conhecimento melhor do Evangelho de Jesus Cristo.

Tome algum tempo para focar na realidade gloriosa da Cruz, que muda nossas vidas, e no poder transformador do Evangelho. Deixe Deus construir suas convicções sobre as coisas que realmente importam à luz da Eternidade, e nunca permita que assuntos periféricos te tornem crítica contra seus irmãos e irmãs em Cristo.

Eu amo o que Oswald Chambers diz sobre isso: “Deus nunca nos dá discernimento para que possamos criticar, mas para que possamos interceder.” Se você vê áreas nas quais outros cristãos precisam ser refinados pelo Espírito de Deus, a pior coisa que pode fazer é fofocar, criticar, ou desenvolver uma atitude de superioridade em relação a eles. Ao invés disso, ore por diligência, e consistência, para mostrá-los o amor e natureza de Jesus Cristo. Tiago 1:20 nos lembra que, a ira do homem não produz a justiça de Deus” (NVI). Adotar uma atitude rude, raivosa, e crítica contra outros crentes não nos ajuda a alcançar os propósitos de Deus para a vida deles. Um espírito crítico nunca produz a justiça de Deus. Na verdade, ele sempre leva ao prejuízo e nunca ao bem.

Lembre-se, é trabalho de Deus dar convicção, refinar e purificar a alma de outra pessoa — e não nosso. Quando nós tentamos nos tornar a consciência de alguém, revelamos nossa falta de confiança na habilidade de Deus de fazer Seu trabalho refinador em sua alma. Não tente fazer um trabalho que só o Espírito Santo pode fazer. Ele é muito melhor em convencer e purificar do que você jamais será.

Usando bem a liberdade

Um jovem crente que eu conheço ficou enojado ao observar um grupo de cristãos que tinha se tornado escravo do legalismo e da justiça própria. Ao invés de levar essa frustração a Deus e responder de forma saudável, ele foi para o oposto extremo para provar sua “liberdade em Cristo”. Ele jogou fora todos os padrões de uma vida santa e abraçou um estilo de vida pecaminoso e egoísta — assistindo filmes perversos, ouvindo música ruim, bebendo álcool livremente, usando linguagem crassa, e enchendo sua vida de atitudes e atividades mundanas. Ele ainda se professava cristão. Mas, acreditava ter a liberdade de viver da maneira que quisesse. Porque tinha visto tantos efeitos negativos do legalismo de perto, esse homem assumiu que viver uma vida de pureza e santidade significava uma escravidão a regras auto-impostas e orgulho espiritual. Ele sentiu que era seu papel mostrar o que “liberdade em Cristo” realmente significava.

Muitos de nós, cristãos modernos, adotaram esse pensamento; acreditando que o melhor jeito de mostrar nossa “liberdade em Cristo” e nos proteger contra o legalismo é rejeitando a pureza e santidade e abraçando uma existência comprometida e mundana. Se você se encontrar se afastando de palavras como “pureza”, “santidade” ou “justiça” e frequentemente deixando pecado e mundanismo entrar em sua vida sob a bandeira da liberdade cristã, então você está abusando de sua liberdade em Cristo.

Cristãos que abusam de sua liberdade geralmente justificam seu comportamento usando versículos como Gálatas 5:1, Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão”, ou 1 Coríntios 10:23, “Tudo é permitido“.

Mas essa atitude revela uma falta de compreensão do que significa “liberdade em Cristo”. Cristo não nos libertou para vivermos uma vida de egoísmo, mas para um poder sobre o controle do pecado, para que agora pudéssemos ser livres para servir à justiça e não ao pecado (ver Romanos 6:10-14). Paulo claramente responde à questão da “liberdade em Cristo” em Gálatas 5:13, “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.” (NVI) E em Gálatas 5:24 ele diz, “Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos.(NVI)

A evidência de que nós realmente demos nossas vidas a Cristo Jesus é que nós não somos mais controlados por desejos egoístas. Como cristãos, nós somos agora livres do controle do pecado e temos o poder da graça dEle para viver uma vida que é agradável e prazerosa aos olhos dEle. Gálatas 5:19-23 distingue as “obras da carne” (imoralidade sexual, ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, etc.) do “fruto do Espírito” (amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, etc.). Se nós vivemos uma vida regida pelas obras da carne, é um sinal de que não estamos permanecendo em Cristo. Mas, se nossas vidas são regidas pelo “fruto do Espírito”, é um sinal de que estamos rendidas ao Espírito dEle e com o poder de Sua graça.

Evite fugir do legalismo caindo no extremo oposto e abraçando uma vida de pecado. Como Paulo diz, “Não use sua liberdade para dar ocasião à carne.” Ao invés disso, use sua liberdade em Cristo para abraçar o amor, a alegria, a paz, a paciência, a amabilidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão e o domínio próprio que você foi criada para demonstrar.

Evite fugir do legalismo caindo no extremo oposto e abraçando uma vida de pecado. Click To Tweet

Conforme você rende sua vida ao Espírito, Ele te capacitará, por Sua graça, a viver uma vida de pureza radiante que você nunca poderia viver por si mesma.

Como é a verdadeira separação

Um cristão em um país estrangeiro foi preso por sua fé em Jesus. Seu coração ficou pesado em seu peito por causa de um prisioneiro, seu companheiro de cela – um ateu que não conhecia a Cristo. Dia após dia, ele mostrava amor ao seu companheiro de toda maneira que conseguia, e o seguia a todo canto, testemunhando de Jesus. Um dia esse prisioneiro, furioso, disse ao cristão, “Basta! Me diga em uma frase quem esse Jesus é, e depois eu não quero mais ouvir sobre ele!”

Sem hesitação, o cristão sorriu e disse ao ateu, “Ele é como eu.” O ateu pausou, considerou aquelas palavras, e então disse baixinho, “Se Ele é como você, então eu quero conhecê-lO.” E naquele dia entregou sua vida a Cristo.

Se você pudesse em apenas uma frase descrever Jesus a um não-cristão, será que poderia dizer com confiança, “Ele é como eu”? O mundo se colocará sem palavras quando vir esse tipo de separação a Deus. Que nós sejamos cristãos que não são enredados pelo legalismo nem pelo liberalismo, mas capacitados, pela graça de Deus, a viver uma vida santa, pura, amável, alegre, pacífica, e corajosa, que irradia a beleza celestial e muda o mundo ao nosso redor para a eternidade.

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