Um só amor, um só espírito – Nossa história de amor

Hoje decidi sentar e escrever nossa história de amor.

Desde que noivei vocês têm pedido para que eu contasse como eu e Beau nos conhecemos e como chegamos até o casamento, e eu sempre adiei. A verdade é que tenho muito medo de contar essa história de uma perspectiva humana, e não da divina, pela qual ela fica muito mais bonita. Por conhecer minha própria limitação e incapacidade de expressar o milagre que nós somos, decidi que não iria nunca tentar postar sobre isso. Há uma linha tênue entre o compartilhar de bençãos com o objetivo de dar graças a um grande Deus, e o compartilhar cheio de orgulho e exaltação de si.

Mas, eu creio que há algo que cura em histórias de amor que dão certo, porque nos lembram de que por mais pecadores que sejamos, Deus ainda é Deus remidor.

Por isso, na esperança de que vocês se sentirão encorajadas, escrevo hoje sobre nós (senta que lá vem história!).

Tudo começou em 2010, quando eu vi no Orkut de alguns amigos uma foto muito peculiar. Até hoje tento achar essa foto perdida em redes sociais, mas não tive êxito ainda. Enfim, nessa foto estavam dois amigos meus e um terceiro moço que eu nunca tinha visto. Todos eles faziam caretas e a legenda era algo sobre a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul. Eu, curiosa que sou, perguntei a meus amigos quem era aquele rapaz, e eles me disseram seu nome. Eu, stalker que sou, joguei o nome dele no Google e descobri um CD que ele gravou com sua irmã. Fiz o download e, sinceramente, ouvi aquele CD todos os dias, por semanas!

A partir dali um interesse começou a nascer em mim. Eu ouvia aquelas letras das músicas que falavam tanto sobre um necessitar de Deus e pareciam vir de um coração sincero, e meu coração parecia estar começando a enxergar algo a mais nesse rapaz com quem eu nunca sequer tinha conversado.

Me lembro de ter feito uma breve e não-profunda oração sobre isso, e de dizer a Deus: “Pai, eu sei que para o Senhor nada é impossível. Então coloco isso diante de Ti.” E nada mais. Não havia uma esperança profunda de que algo aconteceria, mas havia uma linha delicada de sentimento em mim, e aquilo ficou adormecido por um tempo.

Em 2012 eu tive um namoro bem breve que terminou de forma bastante dolorida pra mim, e o processo de cura foi demorado. Me lembro de chorar bastante, por pequenas coisas. Certo dia, em meio a essa turbulência, uma das músicas de Beau começou a tocar no meu iPod, de forma aleatória. A música dizia “E se eu ficar distraído, me coloque em um rio e lave tudo o que não é Você”. Aquelas palavras foram como flecha ao meu coração. Independente da forma como o namoro tenha terminado, eu estava colocando aquela pessoa no trono do meu viver, um lugar que somente Cristo deveria ocupar. Com isso, meu coração recebeu novas forças e me senti pronta para a cura daquele término.

Enviei um email para o Beau, contando sobre a forma como aquela música tinha encorajado uma pessoa de outro país e querendo que ele também fosse encorajado a continuar com suas músicas. O tempo passou, ele respondeu a meu email e começamos a nos corresponder. Os emails furtivos durante as aulas viraram conversas de chat pelo Skype depois da janta que viraram conversas de vídeo noite afora.

Os sentimentos que estavam dormentes desde aquela oração em 2010 despertaram com toda força.

No final de 2012 Beau me contou de seus sentimentos e começamos nossos planos mirabolantes. Como íamos nos ver? Tudo parecia muito doido, com ele nos EUA e eu no Brasil, e muito impossível. Orávamos, conversávamos, os sentimentos cresciam, tínhamos dúvidas, orávamos mais. E as dúvidas eram constantes. As páginas de meu diário espiritual da época estão cheias de perguntas que eu fazia a Deus e a mim mesma.

Em 2013 decidimos que a situação era insustentável. Nossos pais pareciam céticos quanto às possibilidades de aquilo dar certo, e quase ninguém em nossas vidas apoiava nossos planos mirabolantes. Nos sentindo desencorajados, desistimos de tudo em Março daquele ano. Aqui está um trecho do meu diário, do dia 14 de Março de 2013:

“Há 4 dias Deus mandou que Beau e eu abríssemos mão do nosso relacionamento. Um ressonante ‘não’ martelava em nossas cabeças e cedemos. Abrimos nossas mãos, entregamos a Ele a caneta, e deixamos que Ele escrevesse o resto de nossas histórias. Apesar da paz que inundou meu coração desde aquele dia, vez ou outra meu peito parece esmagado de dor. Entretanto, sou encorajada pela renúncia e disposição de Abraão que abriu mão do filho que amava por amor a Deus. Eu sei que Ele é comigo, e creio que DEUS PROVERÁ. Te amo Jesus. Mais do que jamais poderia amar o Beau.”

Eu ainda me lembro do choro amargo que vez ou outra me surpreendia no meio do dia. Foi doído demais abrir mão. Eu achei, de verdade, que Deus estava dizendo um não definitivo, e meu coração não queria aquilo – eu queria estar com o Beau, não importava o preço. Mas, o não do Senhor apertou com força e nós dois abrimos mão.

Seguimos com nossas vidas. A partir dali nossos caminhos não mais se cruzaram a não ser por uma ou outra tentativa frustrada de uma das partes de voltar. Nunca dava certo. Ou eu não queria mais, ou ele não sentia que era a hora. Desistimos de vez e eu inclusive tive um namoro nesse período.

Esse um ano e meio foi de grande crescimento espiritual para mim! Terminei minha primeira leitura completa da Palavra e fiz minha primeira viagem missionária. Parecia que o Senhor estava me chamando de volta a Ele, para me desapegar das coisas desse mundo e focar em Seus olhos. Para ser solteira. E eu estava sinceramente feliz assim.

Mas em Julho de 2014 tudo mudou.

Meu pai e eu fizemos uma viagem meio que de última hora ao Texas para visitar alguns parentes que temos por lá. Enquanto estávamos nos EUA meu coração começou a sussurrar: ele está tão perto! (Não tão perto assim, já que a distância ainda era de 1700km, uma vez que o Texas é no Sul dos EUA e ele mora no Norte…). Pedi o celular de minha prima emprestado e fui adolescente por alguns minutos: liguei para ele e assim que ele atendeu, desliguei. Ouvi sua voz e, na verdade, aquilo era tudo que eu queria. Não tinha o desejo de quebrar todo aquele desapego que cultivamos nos últimos 18 meses. Mas, quando contei para minha prima o que tinha feito ela me obrigou a ligar de novo e dessa vez conversar (obrigada Gabby!).

Conversamos uma conversa estranha, pois os dois estavam completamente despreparados para tudo aquilo. Foi tudo muito desconfortável e quando desligamos eu estava frustrada e desesperançosa.

Mas, deixa eu contar pra vocês o que aconteceu do lado dele da história.

Naquela noite Beau estava em casa, com meu perfil do Facebook aberto e perguntando a si mesmo se não existia mais ninguém naquela cidade que pudesse fazê-lo feliz. Nas coincidências que somente Deus cria, ele recebe uma ligação de um número desconhecido, atende e quem era…?

Depois que desligou, Beau correu para a casa de um amigo que era seu discipulador na época e contou tudo o que tinha acontecido e que aquela menina brasileira de quem ele tanto falava estava no Texas. Seu amigo, cheio de sabedoria, disse: “Me parece que você vai ao Texas!”. Ponderando a oportunidade que seria jogada no lixo caso ele não fizesse uma loucura, Beau comprou uma passagem de última hora, e viajou duas horas e meia até o aeroporto. Muitos pequenos milagres aconteceram em nossa história mas um de meus preferidos aconteceu ali: Beau, na pressa do momento, comprou a passagem para o dia errado. Quando percebeu o erro, ele ligou desesperado para a companhia aérea e disse “moça, eu estou a caminho do aeroporto!! Tem como mudar a passagem?”, e ela: “claro, senhor! Pra quando seria?”, “Pra agora?!”. Pela graça de Deus deu tudo certo e naquela mesma noite estávamos frente a frente, pela primeira vez, depois de um romance de anos pelo Skype. Conversamos por horas à beira da piscina do condomínio em que meus tios moravam. Passamos três dias juntos no Texas, visitando zoológicos, cafés, e passeando pelas ruas de mãos dadas.

Nem preciso dizer que aqueles foram alguns dos dias mais incríveis da minha vida. Senti de forma profunda que aquela minha oração despretenciosa, mas ao mesmo tempo corajosa, de 2010 estava finalmente sendo respondida. Começamos a namorar dia 28 de Julho de 2014.

Em um zoológico no Texas.

Eis o que escrevi sobre o começo de nosso namoro:

“Viver com o Beau tem me ensinado muitas coisas. Estamos vendo como somos egoístas e orgulhosos e o quanto precisamos melhorar. Eu amo como ele me incentiva a crescer, a ser melhor. Da mesma forma como Deus me ama, mas me santifica, assim o Beau me aceita mas me encoraja, com alegria e entusiasmo, a melhorar. Sinto que com ele conseguirei me tornar a mulher que desejo ser. Vai ser dolorido, pois crescer é difícil. Mas vai valer o esforço, sei que o Senhor quer me usar e para isso eu preciso crescer, ser mais forte, mais madura. Nós brigamos e nos desentendemos em vários momentos, mas ele sempre tem paciência de conversar e resolver nossos problemas. Quando choro ele me abraça e me acalma. Ele está me ensinando a conversar, a me abrir, a expressar meus sentimentos. Ele me ensina a ser animada sobre a vida e ver a beleza nas coisas. Ele tem grandes sonhos e planos e, para mim, basta estar ao lado dele, assistindo enquanto ele faz coisas incríveis. Ele me incentiva a sonhar. A imaginar. A planejar. A viver. Viver big time.”

Como todo relacionamento, desde o começo nós tivemos lutas. Momentos em que sinceramente pensamos em terminar. Eu escrevi coisas em meu diário das quais me arrependo, e palavras foram ditas que nós dois gostaríamos de pegar de volta e engolir. Mas, essa é a beleza de Cristo em nós: mesmo os momentos mais duros podem ser doces, porque tudo coopera para nosso bem e nos faz crescer – e isso parece um monte de palavras furadas até que você realmente as viva.

Beau e eu ficamos noivos em Outubro de 2015. Eu estava nos EUA e ele planejava me pedir em casamento em um show de um cantor que gosto muito, Propaganda. Compramos os ingressos para o show em uma cidade próxima de nós para o dia 16, que pensamos ser sábado. Na manhã daquele sábado Beau e sua irmã foram comprar a aliança, e quando ele pegou o papel do contrato para assinar, notou que já era dia 17. Só então eles perceberam o desastre: o show tinha sido no dia 16, sexta-feira, e nós tínhamos perdido. Beau tomou (mais uma) decisão doida de última hora: assistir o mesmo artista em Chicago, a próxima cidade do tour. Foi uma loucura, mas super divertido! Saímos desesperados e viajamos 7 horas de carro. Corremos pelas ruas de Chicago, erramos o caminho, chegamos no meio do show, mas valeu muito a pena! Ele me pediu em noivado no Millennium Park, depois de ler Filipenses 2, nosso capítulo (que também foi lido na nossa cerimônia de casamento e de onde tirei o título desse post).

Pedido de casamento em Chicago.

Depois disso começou o processo para o Visto de noiva. Os EUA têm uma regra de que para casar com um cidadão americano, você precisa passar por um processo super longo e caro. Fiquei muito desencorajada quando vi que poderia demorar mais de um ano para que pudéssemos começar a planejar o casamento. Mas, em todo tempo oramos e pedimos ao Senhor para fazer conforme a vontade dEle, no tempo dEle.

Entramos com o processo em Fevereiro de 2016. Todos os sites e as pessoas com quem eu conversava me diziam: vocês provavelmente só vão poder casar depois de Fevereiro de 2017, esse processo é muito enrolado…

Mas… Servimos a um Deus grande.

Em Julho de 2016, apenas 5 meses depois do começo do processo, eu já estava com o visto nas mãos (eu escrevi sobre essa história nesse post)! Glórias a Deus! Marcamos o casamento para Novembro e eu tive três meses, mais ou menos, para preparar tudo do Brasil e me preparar emocional e espiritualmente para o casamento e a mudança de país (escrevi sobre essa história nesse post).

Com meus pais, no Rio, logo depois da aprovação do visto de noiva.

Muitos outros pequenos milagres aconteceram e o Senhor em tudo, TUDO, foi fiel. Todos os fornecedores do casamento trabalharam de forma que tudo desse certo, mesmo com as conversas sendo por email, sem que eu pudesse ir a reuniões. Nossa família da fé aqui de nossa cidade preparou tudo para que o dia do casamento fosse perfeito e foram extremamente hospitaleiros com minha família. Deus permitiu que meu irmão e cunhada tirassem o visto de turista e estivessem presente no nosso dia especial (mesmo sendo uma época em que muitos vistos estavam sendo recusados).

E, pela infinita graça de Deus, nosso casamento foi tudo o que precisava ser – simples e Cristocêntrico, como eu sempre sonhei. Eu estava calma o tempo todo, com uma paz profunda de que Jesus estava tão próximo, tão presente. Naquele dia, olhei pela janela e vi a neve caindo (outra resposta de oração!) e pensei em toda a nossa história e nas dificuldades e momentos de dúvida. Mas, o Senhor havia nos levado até ali. Que Deus fiel!!! Diante dEle e de nossos amigos e parentes dissemos nosso “I do”, e prometemos uma vida de fidelidade e amor sacrificial.

E depois disso, claro, festejamos essa decisão! Afinal de contas, uma promessa tão pesada e séria precisa também ser comemorada! Nosso pastor disse algo que me marcou muito: o casamento é uma figura do Grande Casamento que virá, quando Cristo se unirá finalmente à Sua Noiva, e a celebração será magnífica. Pensei nisso durante toda a nossa festa e aproveitei muito os últimos momentos com minha família.

Queridas, e agora? Agora nossa história continua. Ao contrário do que parece enquanto estamos solteiras, o casamento não é o alvo final. Não existe “felizes para sempre” que termina ali, como nos contos-de-fadas. A jornada é linda e árdua, e nosso Deus continua com a caneta em Suas mãos, a caneta que entregamos a Ele em Março de 2013, ainda escrevendo nossa história. E não poderíamos confiar em mãos melhores.

Nós estamos aprendendo que casamento é luta, todo dia, pelo amor. Mas, cremos que o mesmo Deus de graça que nos levou desde 2010 até aqui continuará nos carregando até o último dia de nossas vidas.

E eu quero que vocês saibam, de verdade mesmo, que qualquer benção que recebemos desse lado da eternidade é completamente graça. E o que significa graça senão um favor imerecido? Nem eu nem Beau merecemos a vida, as famílias, as amizades, as oportunidades e as bençãos que temos.

Mas, Deus é bom.

E Ele continuará sendo bom mesmo nos momentos difíceis que possivelmente virão, sejam eles doenças, perdas ou mortes. A bondade dEle não é condicionada pelas bençãos. Ele é SEMPRE, SEMPRE bom – na solteirice, no casamento, nos sonhos despedaçados e nos sonhos realizados.

A bondade de Deus não é condicionada pelas circunstâncias. Ele é bom na alegria e na tristeza. Click To Tweet

Que privilégio servir a um Deus tão bom!

“O segredo é [sempre] Cristo em mim, e não eu em circunstâncias diferentes.” (Minha amiga, Elisabeth Elliot)