E Então… As Luzes Se Apagaram (Sobre Depressão)

Enfim, estamos em setembro de 2021 e neste mês, aqui no Graça em Flor, abordaremos temas relativos à saúde mental em referência ao Setembro Amarelo, que desde de 2015 é considerado no Brasil o mês de prevenção ao suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o 8º país com o maior número de suicídios no mundo e, neste aspecto, é importante considerarmos que o ato de tirar a própria vida é geralmente o resultado de um adoecimento psicológico denominado como o mal do século: a depressão. 

São mais de 11 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). A prevalência registrada é maior entre as mulheres (10,9%) do que nos homens (3,9%). Este mal silencioso se tornou uma das doenças mais incapacitantes no mundo, significando que a pessoa portadora desse transtorno psíquico possivelmente não conseguirá trabalhar para prover seu sustento e de sua família, muitas vezes em decorrência do uso de medicações fortes para controle do humor e do sono.   

A depressão é uma doença que pode ser ocasionada por fatores biológicos (genética e/ou hormonal), como também por fatores reativos (gatilhos evidenciados por situações estressantes ou um conjunto de pensamentos negativos). A pessoa apresenta um estado de tristeza e apatia constantes e prolongadas, como também a diminuição da capacidade de atenção e concentração, falta de interesse por atividades que antes tinha prazer em realizar, busca pelo isolamento e a manifestação de um sentimento de incapacidade para lidar com a vida.

É importante dizer que há diferenças entre depressão e tristeza, a segunda certamente acontece ao longo da vida, afinal, estamos em um mundo caído e mudanças inesperadas podem ocasionar momentos de grande estresse, todavia a recuperação deste estado de tristeza é mais rápido que o da depressão, que muitas vezes pode durar por tempo indeterminado. Estar deprimido, entretanto, pode ser a porta de entrada para o estado de depressão. 

Embora a depressão seja considerada uma doença, a verdade é que a mente humana não é um órgão para que possa sofrer uma ação física capaz de adoecer, os fatores que influenciam e concorrem para esse estado mental, que pode variar entre leve, moderado ou grave, ainda é um desafio para a medicina moderna, pois cada ser humano é único e não há padrões capazes de estabelecer os motivos do surgimento da depressão em uma pessoa. Em 1 Coríntios 2:11, o Apóstolo Paulo nos deu a seguinte reflexão: “Pois quem conhece os pensamentos de uma pessoa, senão o próprio espírito dela? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, senão o Espírito de Deus”. Logo, não é possível analisarmos o tema de forma simplista, precisamos evitar os extremos e achar um equilíbrio.

Em um mundo caído, a formação do imaginário nos ajuda a vivenciarmos nossas realidades de forma mais leve e engajada na busca por soluções, bem como a termos esperança mesmo em momentos sombrios. O famoso escritor de “O Senhor dos Anéis”, J. R. R. Tolkien, escreveu essa maravilhosa obra de fantasia baseada, em grande parte, em sua experiência na Primeira Guerra Mundial. Como combatente, Tolkien, esteve sob grande pressão e estresse, e o imaginário lhe ajudou a buscar consolo apesar do trágico cenário de perdas e dores em que viveu. 

Para nossa reflexão, quero convidá-los a uma viagem pela Terra-Média de Tolkien para analisarmos momentos importantes na trajetória de um personagem sensível e corajoso da arrebatadora saga do anel, Frodo Bolseiro, que em um momento de escuridão profunda  experimentou a grande eucatástrofe do desfecho da história, ou seja, a súbita mudança de eventos que garantiu que ele não se tornaria a vítima de um terrível, iminente e provável destino.             

Por que as luzes se apagaram?

Apenas fazendo um breve resumo, a trilogia de livros e filmes de “O Senhor dos Aneis”, nos contam a trajetória de um hobbit (um ser fictício, menor que um anão), Frodo Bolseiro, e seus amigos, Sam, Merry e Pippin, que se unem a uma comitiva formada por um anão, um elfo, dois humanos (sendo um deles o forasteiro misterioso conhecido por Passo-Largo) e um mago muito sábio, chamado Gandalf, para levarem o Um Anel de Poder para ser destruído na Montanha da Perdição, onde havia sido forjado pelo Senhor do Escuro, Sauron. 

O anel continha toda a maldade de Sauron e seu objetivo era trazer as trevas e subjugar os povos da Terra-Média. Tal relíquia poderosa influenciava a todos para o mal, corrompendo seus corações, arrastando para as sombras aqueles que a possuíam. Frodo se torna o portador do anel nessa missão, pois demonstrou ser o único capaz de resistir ao poder maligno contido no objeto. Frodo sentiu toda a angústia e o peso de carregar o mal consigo, a vida de todos no mundo dependia de sua coragem e perseverança em não deixar-se dominar pelo mal e assim poder destruí-lo.  

Nessa missão, Frodo é levado à exaustão; a luta contra o mal que cresce dentro dele, a desesperança diante das circunstâncias mais trágicas, a certeza da derrota e a imensa responsabilidade de saber que sua falha acarretaria na morte de todos que amava, deixa claro que todo o seu sofrimento estava transformando o seu ser, e ele nunca mais seria o mesmo. 

Ao final de sua jornada, Frodo mesmo declara que “há certas coisas que o tempo não pode curar. Algumas feridas são tão profundas que nos acompanham para sempre”. Continuar a caminhada da vida, em meio à dor e ao sofrimento, é uma certeza com a qual precisaremos conviver, pois essas são também as ferramentas de Deus para o nosso aperfeiçoamento. 

Em seu livro, “Crente também tem depressão”, o Dr David Murray nos lembra que: A depressão também não é incomum entre cristãos professos. Em verdade, nestes dias parece haver uma epidemia de depressão, ansiedade e crises de pânico no meio dos crentes — tanto jovens quanto velhos. Isso, pelo menos em parte, é causado pelo estado depressivo da igreja e da nação. Ouvimos com frequência notícias desencorajadoras sobre divisões e problemas na igreja e cristãos que apostatam ou caem em pecado. Além disso, há o direcionamento secular e anticristão de muitos governos que continuam a desfazer as leis e os padrões judaico-cristãos sobre os quais a nossa civilização foi construída, e assim atacam e assolam a vida familiar. Existe uma implacável deturpação e perseguição aos cristãos através da mídia escrita e falada. E, para coroar tudo isto, ingerimos uma incessante dieta de más notícias sobre o palco internacional com guerras, terrorismo e desastres naturais sempre diante de nós. Nestas condições, portanto, não é de se admirar que os cristãos reajam de modo negativo e se tornem deprimidos e ansiosos a respeito de sua própria situação, família, igreja, e o mundo em que vivem.”

Todas as gerações na história viveram momentos difíceis em seus contextos sociais, econômicos e políticos. Por causa da queda e a consequente entrada do pecado e da morte no mundo, sabemos que teremos de enfrentar duras realidades que nos tirarão o ânimo e a esperança de, como cristãos, encontrar redenção e consolo para lidarmos com elas. 

Em um momento do filme, durante uma conversa com o mago Gandalf, Frodo lamenta ter sido escolhido como o portador do anel, desejando que toda aquela situação nunca tivesse acontecido, mas o mago sabiamente o lembra que assim também pensam todos que vivem momentos difíceis, porém não nos cabe decidir sobre tempos como estes, “temos de decidir apenas o que fazer com o tempo que nos é dado”.

Identificar as causas da depressão muitas vezes exigirá de nós tempo para um autoexame sincero. O Dr. David Murray aponta como causas para a depressão: o estresse, os acontecimentos da vida, nosso estilo de vida, nossos pensamentos, o pecado, doenças e até mesmo a soberania de Deus. É importante que façamos essas reflexões sobre esses aspectos da vida, uma vez que nosso corpo e mente foram afetados pela queda, e nossos hábitos, trabalho, relacionamentos, comidas, podem desencadear sentimentos e emoções, bem como reações biológicas, que podem nos levar a entrar em estado de depressão.

O pecado pode não necessariamente ser o motivo, mas é possível que, por andarmos em desobediência contra Deus, venhamos a sofrer consequências que nos levem à tristeza profunda, pela vergonha e pelo sentimento de culpa. A ira, a falta de perdão, a idolatria, pode desencadear falsas percepções da realidade sobre nós e sobre os outros, e nos levar à rebelião, escurecendo nossos olhos para a verdade de que é necessário arrependimento e confissão de pecados. 

É importante frisar que, embora o pecado seja uma das causas, não significa que sempre será, e é muito perigoso colocar a culpa estritamente no pecado pessoal, pois isso pode levar a uma falsa culpa e aprofundar sentimentos de fracasso, fazendo com que cristãos deprimidos busquem uma solução espiritual para um problema que pode, na verdade, ter origem no corpo, acontecimentos da vida, estilos de vida ou padrões de pensamentos negativos.

Quanto à soberania de Deus, devemos entender que na economia Dele tudo, mesmo a depressão, tem um propósito amoroso e gracioso. Assim como Frodo não queria ser o portador do anel e passar por todo aquele sofrimento, dentre todos na Terra-Média, ele foi designado a ter a força para não sucumbir à corrupção do anel, ele era o único que tinha a chance de destruir o mal. 

Em um primeiro momento, podemos não achar vantagem alguma nessa reflexão, principalmente quando entendemos que isso nos levará a sofrer, mas também pode ser um chamado a confiar e nos aproximarmos mais de Deus assim como Jó que ao final de sua provação pôde dizer: “antes, eu só Te conhecia de ouvir falar; agora, eu Te vi com meus próprios olhos” (Jó 42.5).

Provisões para enfrentar a escuridão

“Adeus, Frodo Bolseiro. Eu lhe dou a Luz de Eärendil, nossa estrela mais amada. Que haja uma luz para você, em lugares sombrios, quando todas as outras luzes apagarem.”

— Galadriel, a Dama da Luz  (Primeiro filme da saga, versão estendida, A Sociedade do Anel)

No caminho para destruir o anel, Frodo conhece Galadriel, uma rainha de um reino élfico, e ao partir de seu reino ela lhe dá um frasco contendo a luz de uma estrela para que iluminasse o caminho dele, principalmente quando tivesse que percorrê-lo sozinho. Frodo é o personagem que nos mostra em muitos momentos a dificuldade de andar solitário com dores no corpo e na alma, com pensamentos angustiantes, muitas vezes falsos sobre si e as circunstâncias, mas que são reais em nossa mente e que só podem ser sentidos por quem sofre com a depressão ou com tristezas tão intensas.

A história de Frodo já começa marcada por grandes traumas. No livro sabemos que quando criança ele perde os pais em um acidente no rio e é adotado por seu tio, Bilbo Bolseiro. Quando se torna o portador do anel, o único capaz de carregar aquela grande potência maligna, ele passa a viver na pele a grande tensão da trama: sucumbir ou perseverar.

Esta trilogia é uma referência quando o assunto é a formação do imaginário. Segundo Tolkien, em seu livro “Árvore e Folha”, os contos de fadas afetam o ser humano de três maneiras a respeito da visão da realidade por meio da fantasia, da recuperação, do escape e da consolação. Porém, para a reflexão deste texto, vamos falar apenas das três últimas.

Na recuperação buscamos readquirir o deslumbramento e a admiração pelas coisas comuns do dia-a-dia, pois elas contêm o mistério da vida. O escape não pode ser confundido com escapismo, que é a fuga da realidade de quem perde o interesse pela vida, mas é na verdade uma forma de transcender realidades muitas vezes aterradoras para seguir enfrentando-as. E finalmente o consolo, que é a crença no verdadeiro final feliz mesmo diante das circunstâncias mais difíceis que aos nossos olhos parecem impossíveis de serem superadas e que, em termos bíblicos, podem ser entendidas como o verdadeiro sentido de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (cf. Rm 8.28).

Na Bíblia temos o exemplo de vários heróis da fé que passaram por profundas tristezas:

  • Jó, no ápice do seu desespero e angústia, deseja que Deus o mate (Jó 6.8-10); 
  • Davi, que ao salmodiar questiona ao Senhor o motivo de ser esquecido por Ele e também por quanto tempo mais teria que lutar com a angústia e tristeza em sua alma e em seu coração (Sl 13); 
  • Elias, o corajoso profeta que desafiou 400 profetas de Baal, quando ameaçado pela rainha Jezabel foge para o deserto e, com medo e tristeza, pede ao Senhor que lhe tire a vida (1Rs 19); 
  • Jeremias, o profeta que alertou sobre o julgamento de Deus contra os pecados dos israelitas, lamentou dizendo: “Ele me conduziu para a escuridão e removeu toda a luz” (Lm 3.2); 
  • Paulo, o grande apóstolo de Cristo, enviou uma carta a Timóteo expressando a sua tristeza e sentimento de abandono (2Tm 4.10);
  • E, por último, nosso Amado Salvador, Jesus Cristo, que diante da sua pesada missão orou com profunda agonia e tristeza ao ponto de suar sangue e, ao final, crucificado, clamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparastes?” (Mt 27.46).    

Em todos esses exemplos podemos compreender que mesmo sendo crentes em Deus haveremos de experimentar a dor e o sofrimento e ainda que não seja possível, durante o processo, recuperar a alegria no cotidiano e não consigamos transcender as difíceis realidades de nossas vidas para prosseguirmos com coragem, o consolo nunca nos faltará através dos meios de graça que o próprio Pai nos concedeu. 

A depressão pode não ser um pecado, como também não é consequência de uma vida espiritual inconstante, mas ela pode nos levar a acreditar que Deus não nos escutará e que somos incapazes de manter nossa comunhão com o Pai durante a oração e a leitura da Palavra, exatamente por causa da dificuldade de concentração, da tristeza profunda e do sentimento de solidão. E então já não queremos ir à Igreja e nem conversar com nossos amigos, e todas essas coisas farão com que cada vez mais a escuridão nos envolva.

Queridos irmãos e irmãs, não abandonem as disciplinas espirituais, busquem lidar com a depressão à luz da Bíblia e entendam que os medicamentos necessários para o tratamento são frutos da graça comum de Deus e não sinônimos de falta de fé e confiança no Pai. Pelo contrário, Ele mesmo deu inteligência à humanidade para usar a Criação e criar remédios, e assim sua bondade e provisão transbordarem através de homens e mulheres para ajudar a muitos, pois do Senhor é a Terra e a sua plenitude. Sempre haverá provisões para lidar com os males que nos assolam, não estamos sozinhos e nem desamparados, não acredite nas mentiras sussurrantes e sedutoras da escuridão.   

Se para Frodo havia o consolo de uma luz estelar que brilharia quando a escuridão chegasse; para nós, filhos do Altíssimo, foi dito da Palavra de Deus:Tua palavra é lâmpada para meus pés e luz para meu caminho” (Sl 119.105), especialmente ela é nossa Luz quando todas as outras luzes se apagarem e guiados por ela estaremos seguros para prosseguir na caminhada. 

Seja um amigo nos dias de escuridão

  • Lembra-se do Condado, sr. Frodo? Logo chegará a primavera e os pomares florescerão. E os pássaros farão seus ninhos na aveleira. E semearão a cevada de verão nos campos baixos. E comerão os primeiros morangos com creme. Lembra-se do gosto do morango?
  • Não, Sam. Não consigo me lembrar do gosto da comida, nem do som da água, nem da sensação de tocar a grama. Estou despido nas trevas. Não há nada. Nenhum véu entre mim e a roda de fogo. Posso vê-lo nitidamente.
  • Então, vamos nos livrar dele de uma vez por todas! Vamos, sr Frodo! Não posso carregá-lo pelo senhor, mas posso carregar o senhor. Vamos!

Conversa entre Sam e Frodo à entrada da Montanha da Perdição (Terceiro filme da saga, O Retorno do Rei)    

Esse diálogo ocorre em uma das cenas mais emocionantes do filme, e é impossível não lembrarmos de Jesus e Simão, o Cirineu (Mt 27.33 e Mc 15.22). Frodo estava realmente cansado e a maldade do anel pesava sobre seu corpo e alma, ele cai e entendemos que se Sam não estivesse ali, naquele momento, ele jamais teria conseguido entrar na Montanha da Perdição e destruir o anel. 

Diferente de Sam, Simão foi obrigado a ajudar Jesus que naquele momento manifestava toda a sua humanidade, ferido e enfraquecido. Porém Cristo tinha seu consolo e confiança no amor do Pai e Ele sabia que a ajuda viria para carregar aquela cruz tão pesada onde a morte e o pecado seriam vencidos. É inacreditável, mas o Deus encarnado, em sua humanidade, precisou de ajuda, assim como Frodo precisou do Sam.

Em um momento anterior, Frodo declara que não teria chegado tão longe sem Sam. Amigos são importantíssimos na batalha contra a depressão. A Igreja, como Corpo de Cristo, precisa buscar conhecimento sobre o assunto, principalmente, porque é uma doença muito mal compreendida entre os cristãos. John Lockley afirma que: “estar deprimido é, em si mesmo, bastante ruim, mas ser um cristão deprimido é ainda pior. E ser um cristão deprimido numa igreja cheia de pessoas que não entendem de depressão é ter um gostinho do inferno” (Livro “Crente também tem depressão”, do Dr David Murray).

Aos amigos e familiares, cristãos ou não, que leram este texto até aqui, cuidado com a insensibilidade e a falta de empatia no tratar de pessoas em depressão ou deprimidas. Não sejam dogmáticos tentando estabelecer motivos que ocasionaram o transtorno ou que agravem a culpa da pessoa que sofre com ele. Lembrem-se que nem tudo é físico (“somente os medicamentos ajudarão”), espiritual (“influências malignas”) ou mental (“apenas uma questão de mudança de pensamento”); dar soluções simplistas é ainda pior porque parece supor que a pessoa que sofre de depressão não quer deixar de sofrer.

Humildade, equilíbrio, compaixão, apoio, alguém em quem se possa confiar segredos, paciência, palavras que afirmem a autoimagem em Deus, são qualidades essenciais a serem desenvolvidas por aqueles que são amigos e parentes de pessoas que sofrem de depressão. 

E acima de tudo, esteja mais pronto a ouvir do que a falar. Jó durante sua provação teve por companhia três amigos (talvez, não tão amigos assim), Elifaz, Bildade e Zofar. O primeiro afirmava que a terrível situação de Jó decorria de coisas espirituais, já o segundo oferecia respostas simplistas e o último, ainda pior, o acusou veementemente de ser culpado em praticar tantos pecados que o fizeram cair em tamanha desgraça, quando tudo o que Jó precisava era de apoio e ser apenas ouvido.

Devido à desesperança, é comum pessoas com depressão ou deprimidas manifestarem a vontade de morrer. Nestes momentos é necessário atenção, pois o suicídio é a solução mais atraente para pôr fim ao sofrimento, portanto, pergunte para que haja a oportunidade de uma confissão, até mesmo de prováveis planos para a execução do suicídio, e assim a pessoa possa ser levada a refletir melhor e a buscar ajuda profissional. 

Quando desistir da vida for mais forte do que continuar lutando, lembre-se das palavras de um gigante da fé, Charles Spurgeon, que também sofreu com a depressão: “Você não sabe, irmão, o quanto ainda há para viver; e você, minha irmã, não fale em morrer, pois você também tem muito mais a fazer. Você será como os homens que sonham, sua boca se encherá de riso, sua língua de cânticos e você vai dizer: ‘Grandes coisas o Senhor tem feito por nós’(Livro “A Depressão de Spurgeon: Esperança Realista em meio à Angústia”, de Zack Eswine).

Escrevo este texto na esperança de poder realmente ajudar e oro para que isso aconteça, pois há um ano era eu quem precisaria ler este texto. Assim como Frodo, eu tinha dificuldades em trazer à memória o que me dava esperança e estive despida nas trevas onde não havia nada; mas louvo ao Senhor porque Ele, como o Pai perfeito que é, lembrou-me do quanto sou amada e proveu três grandes amigas que não podiam arrancar a minha dor, mas que quando me viram exausta, assim como Sam, carregaram-me até que eu pudesse caminhar, e que assim como Simão, o Cirineu, foram designadas pelo Pai a ajudarem-me com o peso da minha cruz.

E o que mais eu posso dizer a vocês, amados irmãos e irmãs, quanto à sua dor, sua única e exclusiva dor? Não posso lhe dar a solução e nem me atreveria, mas quero dizer que ela importa. Toda dor importa e é vista por Aquele que a sentiu tão profundamente que a compreende como ninguém e também pode solucioná-la. Cristo disse: “Eu vim como luz para brilhar neste mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça na escuridão” (Jo 12.46), Ele está conosco, é nossa Luz mais amada neste mundo de trevas, Ele venceu para que nós pudéssemos vencer toda tristeza por mais profunda que seja.

Quando somos quebrados por experiências tão difíceis, como a depressão, mesmo durante ou ao fim do processo, como cristãos, compreendemos que os pedaços produzidos por nosso quebrantamento podem e vão alimentar multidões; nossas dores amanhã serão como talentos para ajudar outras pessoas.

Acredite, você voltará a sorrir! Deus está trabalhando em nós, Ele é soberano sobre os eventos da nossa história e não seremos vítimas das circunstâncias sombrias, pois somos mais do que vencedores sobre elas por Jesus que nos amou.    


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