Santidade no Cotidiano: O lar como espaço de santificação

“No Senhor, o trabalho de vocês não é inútil.” 1 Coríntios 15.58

Lar e trabalho – não há como separar essas duas palavras. Independentemente de qual fase da vida você se encontre agora, querida amiga, creio que um dos instrumentos mais poderosos nas mãos do Senhor para a nossa santificação é o nosso lar. Lembremos: santificação é a obra contínua de Deus pela qual ele nos torna cada vez mais conformadas à imagem de Cristo. Não importa se somos casadas, solteiras, se estamos morando sozinhas, se temos uma grande ou uma pequena família, se passamos muito ou pouco tempo dentro de casa. É ali, naquele pequeno ninho, que o nosso coração é escancarado aos olhos do Senhor, que nos vê como realmente somos e nos molda secretamente segundo o seu bom propósito para nós.                                                            

Sabemos que no Senhor, nosso trabalho não é vão, e trabalhar é obedecer:  fazer o que precisa ser feito – sem demora, sem hesitação, sem murmuração. É completar com zelo a tarefa que lhe foi entregue. A louça na pia que não tem fim, os filhos que, às vezes, demandam mais energia do que aparentemente temos, aquela conversa difícil com o marido, ou a doença que bate à porta sem nenhuma outra finalidade aparente a não ser desandar todo o bom funcionamento do lar – são essas pequenas grandes coisas que o Senhor usa, dia após dia, para moldar o nosso coração até sermos mais semelhantes a Cristo.

Precisamos ser obedientes porque o Senhor Jesus foi obediente. E, sejamos sinceras: a obediência não é exatamente um lugar confortável. Há coisas que precisamos fazer dentro de casa, para os nossos, que não são realmente o que gostaríamos de estar fazendo. Bem, a Cruz também não era atraente, mas a obediência não é negociável – nem diante de uma cruz, nem diante de uma pessoa difícil de amar e de conviver, nem diante de fraldas para trocar ou de refeições para cozinhar.

Nas tarefas enfadonhas e repetitivas, Deus nos ensina que assim também é a sua fidelidade – a louça na pia, as roupas por lavar, as pessoas para alimentar não são apenas tarefas infinitas e cansativas, mas são pequenos lembretes da fidelidade de Deus que, dia após dia, nos veste, alimenta e provê. Nos dias difíceis, Deus nos ensina que não podemos fazer uma simples tarefa doméstica sem a sua graça. Nos amados pecadores que dividem o mesmo teto que a gente, o Senhor nos lembra que nós também somos pessoas difíceis de amar, e mesmo assim Ele nos ama sem reservas. E assim, como um belíssimo vaso de barro nas mãos de um primoroso oleiro, o Senhor usa cada situação em nosso lar para nos fazer mais semelhantes a Ele, transformando nosso coração e nosso caráter, forjando em nós virtudes que não são naturalmente nossas, mas que vêm do coração do próprio Cristo.

No Senhor o nosso trabalho não é vão porque é o próprio Deus que nos chama a trabalhar. O que para muitos é apenas um trabalho ingrato e infinito, cansativo e repetitivo – convenhamos, não há glamour nenhum em trocar a décima fralda suja do dia, ou preparar novamente uma refeição quando ainda sequer descansamos desde a última servida –, para Deus é a oportunidade perfeita de nos aperfeiçoar e nos moldar. É por meio dessas tarefas comuns que ele nos santifica, de forma que, a cada dia, tenhamos menos de nós e mais de Cristo em tudo o que somos e em tudo o que fazemos. 

Quando nos encontrarmos com o Senhor, finalmente nos perguntaremos: Senhor, quando foi que eu aspirei o chão da sua casa? Quando lavei a sua roupa? Quando te servi uma refeição e limpei seu banheiro? E o Senhor nos responderá: “quando você o fez por um dos menores de meus filhos, você o fez por mim.”

Nisto nós, filhos de Deus, encontramos realização. Não consideraremos nenhum trabalho como inferior se considerarmos que o Senhor do Céu, o Criador de todas as coisas, simplesmente pegou uma toalha e lavou os pés dos seus discípulos.

O pecado tira a beleza das coisas e nos faz ver o lar de forma monótona, cansativa e tediosa, em vez de algo belo e cheio da glória de Deus. Não estamos levantando mais um dia para fazer as mesmas coisas, mas, pela bondade de Deus, estamos nos levantando mais um dia para sermos amadas e moldadas pelas mãos do Senhor – mãos estas que muitas vezes parecem nos esmagar, mas estão na verdade a nos santificar.

Na nossa vida prática, querida amiga, santificação é o que acontece quando, dia após dia, uma mulher que teme ao Senhor se torna mais paciente com o marido, com seus filhos, com os seus pais, com sua colega de quarto. É quando se torna mais pronta a perdoar, mais amorosa com aqueles com quem divide o mesmo teto, mais humilde diante de Deus porque reconhece que também é uma pecadora precisando desesperadamente da graça, e mais parecida com Cristo – não apenas por esforço próprio, mas principalmente pela atuação do Espírito Santo em sua vida. No fim, a nossa santificação no lar é como um jardim recém-plantado, o crescimento é gradual, e muitas vezes imperceptível no dia a dia, mas é real, e no tempo certo floresce para a glória de Deus. 


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