Os Evangelhos: Mateus – Relatos sobre nosso Mestre e Salvador

“Todos falam de mim; 
Lá vai Mateus, sujo ladrão; 
Dinheiro na mão, cobrando os impostos, taxando aos judeus; 
E reclamam de mim; 
Lá vai Mateus, falso irmão, 
Traindo a nação, jogando por Roma à custa dos seus;
Quem me conhece por dentro, sabe a alegria que em mim se instalou; 
Jesus Nazareno, chamando sereno, “Vem já, vem me seguir”.”

Vencedores Por Cristo; Álbum Eram Doze

Um entre os doze. De números ele entendia, mas, apesar disso, nada fazia sentido. “Eu? Mateus? Chamado a seguir?” Jesus devia ter sorrido em uma quase gargalhada quando fitou o rosto confuso de Mateus. Um judeu que vivia de cobrar impostos injustos do seu próprio povo. Ele comia do que tinha de melhor, vestia-se bem; em sua casa, vasos finos e mesas grandes. Grandes, porém vazias.

Até que um dia… mesa posta e jantar servido. Sentavam ali publicanos e pecadores e, no meio deles, nada menos que o próprio Cristo. A ocasião pedia algo grandioso! Mas não é isso que Mateus descreve. Em seu relato (9:9,10), vemos um jantar ordinário. No entanto, logo atrás, vem seu colega de Evangelho, Lucas, descrevendo ainda mais abertamente essa mesma ocasião (Lucas 5:27). Aquele era, na verdade, um grande banquete. Mateus sabia com quem estava. A transformação dentro de si já havia começado. Há muito tempo (e provavelmente nunca o tinha feito) Mateus não provava daquela alegria extrema. Alegria em simplesmente estar ali, naquela hora, naquele lugar, sentado àquela mesa. 

Mateus é um dos evangelhos chamados Sinóticos (syn + opesthai) que basicamente significa “ver juntamente”. Faz parte do trio ao lado de Marcos e Lucas. Se você já leu os evangelhos, provavelmente percebeu que muito do que está em um também pode ser achado em outro. Isso porque esses evangelistas usaram recursos sobrepostos orais (fatos históricos repassados oralmente) e também documentos (registros físicos de acontecimentos) para compilar e escrever seus livros. 

E aqui contemplamos o Evangelho de Mateus, logo após virarmos aquela página em branco nas Escrituras. Mateus então surge como uma ponte entre aqueles longos anos de silêncio após Malaquias e o início das Boas Novas no Novo Testamento. Escrito mais de uma década depois da ascensão de Cristo aos céus, esse Evangelho tem o maior número de citações do Antigo Testamento. O capítulo 1, versículo 1 diz: “Este é o registro dos antepassados de Jesus Cristo, descendente de Davi e de Abraão”. Para Mateus, os números pareciam ser relevantes, assim como padrões e ordens. Ele decidiu então começar pelo começo, como se dissesse: “Vejam! Esse de quem vou falar é realmente o Cristo, Messias, Salvador a quem esperávamos! Notem essa lista de nomes e a maneira como tudo faz sentido! Os números certamente batem”.

Mateus apresenta nosso Cristo como Mestre. É lá que encontramos o famoso Sermão do Monte. Vamos andar juntas pelos capítulos 5-7 por um instante? 

  • Em um mundo que corre atrás da felicidade, Jesus traz a receita nas bem-aventuranças: “felizes os humildes, pois herdarão a terra”;
  • Em uma sociedade em que todo mundo quer ser diferente, mas todo mundo acaba sendo igual, Jesus diz: sejam sal e luz. Façam diferença genuína;
  • Para uma vida cheia de relacionamentos difíceis, em que o sorriso falso é constantemente forçado, Jesus nos instrui a nos reconciliar com nosso irmão antes de entregarmos nossa oferta a Ele. De nada valem mãos cheias se o coração está impuro;
  • Para quando nos auto sabotamos dizendo “esse pecado é maior que eu”, Cristo mostra a gravidade da situação: “se a mão direita leva-o a pecar, corte-a fora”;
  • Se a forçarem a caminhar uma milha, reclame e reivindique seus direitos, o mundo diz. Jesus ensina algo transformador ao invés disso: “vá com ele duas”;
  • Vocês querem divulgar suas boas obras? Quando ajudarem alguém, não deixem que sua mão esquerda saiba o que a direita está fazendo;
  • Quando tudo é prioridade, Jesus nos deixa claro o nosso número 1: “Busquem em primeiro lugar o reino de Deus e a Sua justiça, e todas essas coisas lhes serão dadas”;
  • Está com receio de se aproximar? Bata, e a porta lhe será aberta;
  • A antiga e repetida regra de ouro se encontra aqui: Faça aos outros o que desejarem que façam por você;
  • Árvore boa não pode produzir frutos ruins e árvore má não pode produzir frutos bons. Sendo assim, identifiquem falsos ensinos;
  • Por último, seja sábia e construa sua casa na rocha para que permaneça firme mesmo nos dias maus. 

Mateus também apresenta nosso Cristo em seu aspecto divino, realizando milagres. Lembra da cura do leproso ou de quando Ele acalmou a tempestade? Jesus expulsando demônios e curando um paralítico? Cegos, mudos, o homem da mão ressequida? E quando Ele multiplicou pães? Quando andou sobre as águas? E o mais impressionante: quando Ele perdoou pecados? Em cada milagre, podemos experimentar através dessas linhas o coração compassivo e misericordioso do nosso Mestre. Mateus estava presente em muitos desses milagres e provavelmente mal podia acreditar no que seus olhos estavam vendo. Ele não se conteve ao registrar cada um que podia lembrar, porque ele sabia que nós, hoje, apesar de não termos visto esses milagres com nossos próprios olhos, poderíamos ainda assim compartilhar da admiração e alegria que invadiam o seu coração. 

Como vimos, o capítulo 1 traz a genealogia de Cristo. O penúltimo capítulo traz a história da crucificação. No entanto, Mateus entendeu que a história não acaba aí. Ele demorou para digerir os fatos, compreender a magnitude dessa obra redentora, mas finalmente conseguiu registrar o dia vitorioso em seu último capítulo, que foi a narrativa da ressurreição. Então, assim, como um círculo completo, temos o nascimento de Cristo, sua vida, sua morte e sua ressurreição. “Glórias a Deus nas alturas!”, diziam os anjos quando Cristo nasceu. “Ele não está aqui, Ele ressuscitou, não tenham medo”, disse o anjo às Marias que foram visitar o túmulo de Jesus, enquanto o coração delas gritava: “Glórias a Deus nas alturas!”

E agora? O que pode vir depois da ressurreição? Desse evento que partiu o véu, partiu a história, quebrantou os corações? Veja como Mateus escolhe terminar seu livro. Capítulo 28, versos 16-20: 

“Então os onze discípulos partiram para a Galiléia e foram ao monte que Jesus tinha indicado. Quando o viram, o adoraram; alguns deles, porém, duvidaram. Jesus se aproximou deles e disse: “Toda autoridade no céu e na terra me foi dada. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei. E lembrem disto: estou sempre com vocês, até o fim dos tempos”. 

E é assim, amigas, com o comissionamento de Cristo aos discípulos lá na Galiléia, e a nós que cremos em Seu santo nome aqui e agora, que essa obra se encerra. Essas foram as últimas palavras de Cristo, e Mateus escolheu fazer dessas suas últimas palavras também. 

O convite para se juntar a esse banquete está estendido a mim e a você. A mesa está posta, o jantar está servido. Sobre a mesa, o seu nome, marcando seu lugar. Venha e tome parte neste ajuntamento dos santos de Deus. Ele tem nos preparado lugar nos céus, mas hoje ainda Ele nos convida a trabalharmos em seus campos, a colhermos dos seus frutos, a partirmos o pão que Ele provê com nossos irmãos e irmãs, até que Ele volte. Fica então o convite para vivermos esse legado que Cristo nos deixou: vamos avante, fazendo discípulos, ensinando nossos próprios corações e outros ao nosso redor a como obedecer a Deus em todas as coisas.


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