O Poder da Ressurreição: O Ecoar do “Está Consumado”

“Jesus sabia que sua missão havia terminado e, para cumprir as Escrituras, disse: ‘Estou com sede’. Havia ali uma vasilha com vinagre, de modo que ensoparam uma esponja no vinagre, a colocaram na ponta de um caniço de hissopo e a ergueram até os lábios de Jesus.

Depois de prová-la, Jesus disse: ‘Está consumado’. Então, inclinou a cabeça e entregou o espírito.” (João 19.28-30)

No trecho acima, temos o relato dos últimos instantes de vida do Senhor Jesus. Sabendo que sua missão na terra tinha sido cumprida, que a vontade do Pai havia sido feita, ele bradou: “Acabou! Não há mais dívida! O preço foi pago! O sacrifício perfeito foi aceito!” E, então, morreu. 

A ressurreição de Cristo é a confirmação de que sua missão foi completada com sucesso. O fato de a morte não segurar nosso Salvador na tumba é a prova de que ele venceu sobre o pecado e sobre a própria morte; o sacrifício perfeito de seu corpo na cruz foi aceito como aroma suave pelo Pai. A obra consumada por Jesus se estende a nós hoje.

Em nosso relacionamento com Deus

O estrago causado pela entrada do pecado no mundo no jardim do Éden só poderia ser reparado por meio de sacrifício que envolvesse morte e sangue. Essa era a única forma de aplacar a ira de Deus, que se acendeu contra o ser humano. O relacionamento entre criatura e Criador foi profundamente impactado. 

No Antigo Testamento, temos as várias leis dadas pelo Senhor para que o povo escolhido pudesse se aproximar dele sem ser destruído – tamanha é a sua santidade que não tolera o pecado. Ofertas e holocaustos eram oferecidos constantemente pelos sacerdotes, os únicos que podiam entrar no tabernáculo – e, posteriormente no templo – o qual representava a presença divina no meio de seu povo. O relacionamento era muito limitado, bem diferente do livre acesso que havia no jardim, a ponto de o homem falar com Deus face a face.

Na cruz, o Senhor Jesus consumou o cumprimento daquelas leis. Ele foi o Cordeiro perfeito oferecido como sacrifício que satisfez as condições divinamente estabelecidas, restabelecendo a paz entre Deus e os homens. A oferta constante de animais não se faz mais necessária, o véu se rasgou de alto a baixo, pessoas de todas as tribos, povos e raças receberam as credenciais por meio do sangue do Salvador e podem se achegar diante do trono da graça. 

Cristo trilhou o caminho e recebeu a sentença que nos estava destinada: sofrimento, humilhação, separação da presença do Eterno e morte. Tudo isso sem pecar e sem se desviar da missão. Ele concentrou em si todos os pecados, de todos os eleitos, de todas as épocas e recebeu toda a punição devida – Deus Pai descarregou nele toda a ira reservada para nós. E, assim, de inimigos fomos transformados em filhos e filhas amados “de tal maneira” pelo Deus de amor (cf. João 3.16). 

O brado de “está consumado” na cruz ecoa hoje em nosso relacionamento com o Senhor. Não precisamos que outros homens intercedam por nós, Jesus é o nosso Mediador que confere acesso direto à presença do Pai. O Senhor fala diretamente conosco por meio das Escrituras e nos ouve instantaneamente através das orações. Tudo isso porque ele olha e vê sobre nós o sangue precioso de Cristo, bem como sua obra completa em nosso favor – a obra de Cristo, não as nossas.

“Agora, portanto, já não há nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.” (Romanos 8.1)

Precisamos lembrar essa verdade às nossas almas sempre que a culpa de pecados confessados e perdoados começar a ressurgir em nossas mentes. Uma vez que estamos em Cristo fomos perdoados, a dívida foi integralmente paga. Se o Credor, que é a parte mais interessada, rasgou o escrito de dívida que era contra mim e você (Colossenses 2.14), por que vivermos na tentativa de remendar os papéis e reviver nossos erros? Se ele lançou os pecados no mar do esquecimento e colocou a placa de proibido nadar, por que mergulhar nas lembranças na tentativa de resgatar algo morto e enterrado? Não importa o que as vozes interiores e exteriores digam, ouça Cristo te dizer: “está consumado!”

Em nosso cotidiano

O “está consumado” ecoa também em nosso relacionamento com as pessoas ao nosso redor. Desde o início, sabemos que o Senhor trata seu povo com misericórdia, não lhe dando exatamente o que merecia. Somente pela obra de Jesus fomos totalmente perdoados. A compaixão deve permear nossa forma de lidar com os outros, a graça superabundante derramada sobre nós deve transbordar de nossa boca e ações.

A ressurreição de Cristo é a garantia de que um dia os mortos que creram nele ressuscitarão também. A vida nessa terra não é o fim, somos peregrinos que caminham em direção à pátria celestial. A preocupação com servir ao Senhor, fazer sua vontade e torná-lo conhecido devem influenciar a forma como vivemos, falamos e pensamos deste lado da eternidade. Estamos em serviço e não podemos baixar a guarda, ainda não chegamos em casa.

A ressurreição ainda nos fala sobre esperança. Esperança de que um dia estaremos completamente livres da influência do mal, de tragédias, catástrofes, dor e sofrimento. Esperança de que podemos ser moídos nessa terra, como nosso Salvador foi, mas que, ao fecharmos os olhos aqui, os abriremos novamente na presença dele e teremos nossas lágrimas enxugadas. 

Do jardim do Éden à Nova Jerusalém, o Senhor nos mostra que o seu objetivo é se relacionar eternamente com o ser humano. O poder da ressurreição de Jesus restaura nossa ligação poderosa com Deus Pai e derruba as barreiras. Temos livre acesso à sua santa presença. A morte eterna não nos atinge, estamos livres para desfrutar da comunhão plena com nosso Criador, a qual se intensificará até o dia em que estaremos eternamente com ele e o veremos como ele é (1João 3.2).

O “está consumado!” percorreu toda a história em uma fração de segundos. De Gênesis até o fim dos tempos, a dívida foi paga. Em todas as eras perdão e graça quebram as algemas da escravidão do pecado, transformam homens em novas criaturas e aplacam a ira do Senhor, nos religando ao Amado de nossas almas. Ainda hoje, ouvimos de forma límpida as palavras de nosso Salvador ecoando em nossos corações, moldando nossos pensamentos e direcionando nossas ações. Maravilhosa graça!


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