Como me adaptar a uma igreja nova? (Graça Responde #1)

“Como conseguir lidar com a adaptação com uma igreja nova (no caso a que o marido sempre frequentou e a esposa foi caminhar junto)?”

Dedico esse texto a todas que, como eu, também deixaram suas igrejas locais para se congregarem junto de seus esposos.

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Qualquer casamento exige adaptação e, entre os crentes, quando o casal de noivos frequenta igrejas diferentes, também há a necessidade de, após casados, uma ou ambas as partes mudarem de igreja local a fim de, agora, congregarem e servirem juntos. Essa situação ocorre sempre em namoros a distância, mas também pode acontecer com quem mora na mesma cidade.

Para quem não vive a comunidade da fé, mudar de igreja pode parecer algo trivial diante de todas as outras adaptações que o casamento exige. Talvez soe como a mais fácil das mudanças, afinal “é só uma igreja”, “a fé é a mesma”. Mas quem já passou por isso sabe que de simples não tem nada. Ouso dizer que é uma das mudanças mais difíceis.

Aqui, vou partir da suposição de que a esposa está indo para a igreja do marido com a qual não há nenhuma questão doutrinária a se resolver. O problema não seria adaptar-se a novas convicções, mas a igreja local em si, sendo ela da mesma fé e ordem da que antes você pertencia. Para aquelas que estão se preparando para esse passo tão importante, deixo aqui algumas reflexões que me ajudaram no período de adaptação na nova igreja. Mas antes, gostaria de lembrar que a igreja local em que vocês estão hoje não, necessariamente, é onde vocês estarão para o resto da vida. Essa é uma decisão de vocês como casal e nada impede que procurem outra congregação em outro momento da vida.

Lá em Atos, no relato da igreja primitiva, vemos como aqueles crentes prezavam pela unidade da igreja e como a mesma se tornara parte essencial de seu cotidiano. Hoje, não é diferente.  (Atos 2.42-49)

A igreja não é simplesmente um lugar onde vamos assistir o culto, para nós é uma segunda família, não é a toa que nos chamamos de irmãos. É lá onde costumamos ter nossas mais profundas amizades. Este local e as pessoas que estão lá aparecem na memória dos nossos dias mais especiais. Ali, encontramos a razão da nossa fé, aprendemos muito do que sabemos e boa parte de nosso caráter foi formado. Definitivamente, mudar de igreja não é nem nunca será fácil, mesmo sendo uma decisão individual, pensada e por um motivo feliz como o casamento.

Querida amiga, a primeira coisa que posso te dizer é que essa situação exige que coloquemos  nossa confiança em Deus. Deus se agrada por vivermos em comunhão e Ele mesmo instituiu a igreja local para nos edificarmos mutuamente. Cremos em sua soberania e onisciência, e por causa disso, também cremos que Ele mesmo separou esta nova igreja para você. Tudo tem um propósito voltado para a glória de Deus. Tente enxergar essa mudança como uma oportunidade de crescer e glorificar a Cristo sendo bênção para novas pessoas, porque em resumo, nós não estamos na igreja, nós somos a igreja, e isso em qualquer lugar deste mundo em que a reunião dos santos aconteça. Para fazermos nosso papel quando estamos vulneráveis é preciso estar alicerçada no Deus que entende nossos sentimentos e sustenta nossa vida.

Para fazermos nosso papel quando estamos vulneráveis é preciso estar alicerçada no Deus que entende nossos sentimentos e sustenta nossa vida. Click To Tweet

Uma vez que você confia e coloca sua dependência no Senhor, chegar de coração aberto é fundamental. Você tem tempo para se preparar para isso durante o noivado, afinal, já sabe o que vai acontecer. Certamente, você encontrará diferenças de costumes e tradições, mas enquanto essas diferenças não ferem os princípios de Deus, está tudo bem. Então, ore para que o Senhor te dê um olhar generoso por este novo local e essas novas pessoas, que Ele te faça estar ali de boa vontade mesmo diante das diferenças. Sem muitos rodeios, tente aplicar o “Aceita que dói menos”, porque, sinceramente, esta é a verdade para qualquer mudança necessária em nossa vida. Ir de coração pesado, exaustivamente saudosista só vai dificultar a aceitação do novo e retardar a sua adaptação. A gente tem mania de classificar as coisas como melhores ou piores, mas é tão mais fácil quando simplemente encaramos como diferente… Para ser aceita é preciso aceitar.

Ser assídua às programações da igreja é outro ponto importante. As programações são meios de graça oferecidos como forma de edificação e comunhão: ebd, cultos, grupos caseiros, encontros, almoços etc. Eu compreendo o seu sentimento de uma vez ou outra não querer ir a alguma ocasião porque já está prevendo que vai se sentir sozinha, que “só vai ter senhora”, que “não me identifico com esse grupo” entre outros pensamentos. Mas, irmã, a verdade é que a gente só aprende a amar aquilo que a gente tem, e a gente só tem aquilo que está perto (mesmo estando geograficamente longe). É difícil? É. Para mim também foi. Por muitas vezes, voltei pra casa me sentindo constrangida porque tentei me enturmar depois do culto e fiquei no vácuo. Mas, uma hora deu certo e aqui estou eu contando a história. Congregar-se é uma ordem explícita de Deus, e conseguimos vê-lo ministrando ao nosso coração por meio da congregação. Não é por acaso que boa parte das epístolas do novo testamento são direcionadas a igrejas. (Êxodo 25.8 / Hebreus 10.25)

Conversar com seu esposo sobre os seus sentimentos e sobre as necessidades emocionais referentes a essa situação é importante para ele entender o que se passa na sua cabeça. Ora, eclesiasticamente falando, para ele não mudou nada, então, não é incomum que o esposo tenha dificuldade em perceber que você está passando por um baita choque cultural. Contar com a empatia dele é fundamental porque ele é a sua primeira ponte para novos relacionamentos.

Em Colossenses, a gente lê sobre suportar uns aos outros em amor. Eu sempre entendi esse “suportar” como “dar suporte”. Se Deus nos diz que devemos agir assim com os irmãos, quanto mais com nossos cônjuges. Deixe seu esposo suportar você. (Colossenses 3.11-17)

Uma coisa que combinamos em nossa casa (depois de eu me frustar um bocadinho hehehe!) foi que nós não recusaríamos convites. Já eram poucos os que recebíamos, e recusá-los me deixava cada vez mais isolada. Então, se alguém da igreja nos convidasse para “comer pipoca sentados na calçada”, a gente ia. Essas oportunidades faziam com que as pessoas me conhecessem mais intimamente, conhecessem a Deborha e não a “esposa de alguém”.

E nesse sentido você não precisa ficar somente esperando. Você pode convidar um casal para sair do culto, algumas mulheres para um café e produzir quantas oportunidades a sua criatividade, condições e disposição permitirem.

A Bíblia fala em várias passagens que nós crentes somos um corpo, e nesse início em uma nova igreja, precisamos resgatar o sentido de corpo em nós. Nada no nosso corpo é inútil. Até aquela gordurinha serve para te proteger do frio. Na igreja é a mesma coisa.  (Romanos 12.4-5 / Colossenses 1.8 / Efésios 4.16 / 1 Coríntios 12.12 e 27)

Outro dia, em um artigo aqui para o Graça, a Carol escreveu a seguinte frase em um texto sobre quando ela precisou mudar de igreja: “Não era fácil me sentir parte do corpo, se eu era uma parte sem função”. Me identifiquei profundamente com essa fala porque era exatamente o que sentia nos meus primeiros meses de nova igreja.

Imagino que todas concordamos que nenhuma de nós tem o dom de esquentar o banco, né? Participar de um ministério e servir a igreja é um passo que vai potencilizar exponencialmente a sua adaptação. Em muitos casos, as primeiras oportunidades podem não ser no seu “ministério do coração”, aquele que você realmente gosta ou tem chamado para atuar. Mas, no começo, ainda assim, aceite irmã. É um passo de cada vez. E é de lá que outras oportunidades surgirão. No momento em que você achar que estar nesse “ministério secundário” pode atrapalhar você de receber convite para integrar aquele seu “ministério principal”, aí é hora de sair. Óbvio que isso depende muito de igreja para igreja. Igreja menores, por exemplo, tendem a encaixar mais rápido em um ministério alguém que apenas foi transferido para lá. Mas se você ainda é recém convertida, aí é outra história. Por gentileza, tenha um pouquinho mais de paciência neste ponto.

Você deve ter percebido que, na verdade, não tem muito segredo, precisamos fazer aquilo que está a nosso alcance e vencer o que nos limita para, enfim, provarmos da plena adaptação e do gozo real de ser igreja. Seria maravilhoso se, assim que chegássemos, as pessoas que estão mais ou menos na nossa mesma fase da vida (nossa potencial turma) já viessem nos receber. Fizessem questão de nos convidar para entrar na roda da conversa e lembrassem de nós quando estivessem organizando aquele evento entre amigas no próximo feriado. Mas a verdade é que elas estão simplesmente vivendo suas vidas, e, a princípio, não há nada de errado nisso. Tenha paciência e faça a sua parte porque a maioria dessas potenciais amigas precisa de um empurrãozinho para sentirem vontade de nos ter perto delas. Então, quase tudo se resume a “faça a sua parte”. Eu disse “quase tudo” porque precisamos ter ciência de que nenhum dos nossos esforços será válido se não tivermos a motivação correta no Senhor.

Comecei falando de Deus e quero terminar falando dele também, que é, na verdade, o ponto mais importante a tocar: Jesus. Eu entendo o isolamento e a falta que você possa sentir da sua antiga igreja. Já passei por isso e tenho que te dizer que só não desisti porque tinha a Cristo. Momentos de transição como este em que a gente não sabe ao certo com quem poderá contar daqui alguns meses servem também para nos aproximar daquele que nunca nos deixará deslocadas. Ter bons relacionamentos é excelente, mas ter a Cristo é imprescidível.

Se o seu coração não estiver preenchido com a alegria que vem do Senhor, a igreja poderia ser uma festa que ainda assim você não estaria feliz. Então, confie a Ele os seus cuidados, deixe que o Senhor do Tempo seja a grande motivação nesse momento. Você ama a este Deus que te deu a igreja, você ama viver em igreja, você ama servi-lo e sabe que faz isso quando serve outras pessoas, você reconhece o cuidado dele a cada dia, então descanse nele e experimente da providência do Senhor nos seus novos relacionamentos na igreja local. (Salmos 122:1)

Respondido por Deborha – Aconselhadora do Graça em Flor

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