Resgatando o Natal – Esperança para o Futuro: Como o Nascimento de Cristo Transforma Nossas Expectativas

Nosso Deus nos dotou de imaginação; trata-se de um pensar, refletir e idealizar situações e pessoas. Dessa forma, planejamos e arquitetamos, desde soluções de problemas cotidianos até mesmo sonhos de alcançarmos objetivos de vida. Digamos que conseguimos visualizar o futuro que desejamos ter.

E é nesse momento que entram as expectativas. Na era presente, muito se fala contra as expectativas, do quanto elas são perigosas e de que devemos evitá-las. No entanto, eu não as julgo algo de todo ruim; elas são necessárias para que possamos perseguir nossos objetivos e são também um combustível para a esperança. Do contrário, entramos em completa apatia.

Mais uma vez somos chamados ao equilíbrio: não podemos viver sonhando e deixar de enxergar a realidade frágil e desafiadora como ela é; entretanto, precisamos lidar com nossas expectativas de forma sábia e, como cristãos, confiar no Deus que faz o impossível acontecer… no Pai que está pronto a nos surpreender e nos mostrar que nossas expectativas podem ser, e muito, superadas pelos bons planos que Ele fez para nós. Vamos juntas refletir sobre como os que participaram do nascimento de Jesus tiveram suas expectativas afetadas por esse evento profetizado e tão aguardado por eles.

Maria e José: expectativa de um lar simples, realidade de um Salvador eterno

Gosto muito da música em inglês de Mark Lowry, Mary, did you know? (Maria, você sabia?), porque ela me transporta para aquele momento em que o anjo Gabriel anuncia à Maria que em seu ventre o Filho de Deus era gerado… uma menina, possivelmente entre seus 13 e 15 anos, que, no mínimo, sonhava com um lar, um marido gentil e temente ao Senhor e em ter filhos para a glória de Deus.

Quantas de nós não imaginamos um casamento, um lar e filhos? Um ambiente com muito amor e aconchego; uma casa bagunçada; aromas e sabores diários em cada refeição; levar as crianças para a escola; dar banho; abraçar, nos dias difíceis, quando os filhos já adolescentes, tiverem que lidar com expectativas não correspondidas… Maria ouviu o anúncio do anjo, mas será que ela sabia que tudo seria como foi? 

Creio que não, que nem sequer passou por sua mente ou desceu ao seu coração que a profecia que dizia: “Portanto, o Senhor mesmo lhes dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel” (Isaías 7:14) era sobre ela também. Maria e José esperavam por um lar como qualquer outro em Israel, mas aprouve ao Senhor trazer Seu Filho, Seu único Filho, a essa família tão comum. 

Os desafios desse casal foram imensuráveis, com dores que atravessariam a alma como espada, mas Deus fez muito mais do que eles poderiam imaginar: pela obediência em amor dos dois, nossa Salvação veio a este mundo e um Filho nos foi dado, Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz. 

Sim, Maria não poderia imaginar a dimensão daquele anúncio feito pelo anjo, mas certamente suas expectativas foram atendidas e muito mais fez o Senhor por Maria, José e todos nós para a glória do Seu Nome. 

Isabel e Zacarias: expectativa de um filho, realidade de um profeta

Todas as vezes que me recordo de Isabel e Zacarias, penso sobre o quanto é importante entender que as expectativas podem e devem acabar e que o fim delas não significa que Deus não nos ame porque não tivemos o que esperávamos. O tempo de Deus não é o nosso, afinal, Ele é Senhor do tempo e nós vivemos no tempo.

Naquele contexto histórico-cultural, ter um filho era mais que uma expectativa, significava que a bênção do Senhor estava sobre aquela família e que o nome dela não seria apagado da história; logo, não ter um filho, ao menos um único filho, era algo muito difícil de suportar. No entanto, Isabel e Zacarias descansaram no Senhor. Certamente eles conheciam a história de Sara e Abraão, mas jamais poderiam imaginar que seriam escolhidos para dar à luz aquele de quem o próprio Jesus disse que “de todos que nasceram de mulher, nenhum é maior que João Batista” (Lc 7:28).

É claro que dentro dos planos do Senhor do Tempo, o nascimento de João Batista tinha um propósito redentivo e, sim, nem todas as mulheres segurarão filhos em seus braços. Porém, quero dizer a você, querida irmã, cujas expectativas acabaram em várias áreas da vida, que seu coração não permaneça entristecido ou pesado por isso. 

Lembre-se que nosso Senhor, por amor eterno, nos deu um Filho que prometeu suprir e superar com alegria indizível toda e qualquer expectativa frustrada. Ele é nossa Esperança e nossa Vida, nossa Luz mais amada. Ele prometeu estar conosco até a consumação dos tempos. O que não temos agora ou o que nos foi tirado, em tudo, o próprio Senhor será a nossa porção. 

Simeão e Ana: expectativa de consolo, realidade da salvação

Quando lemos nas Escrituras, especificamente na Carta aos Romanos, que Abraão esperou contra a esperança (Rm 4:18), entendemos que confiar no Senhor é perseverar com paciência, até mesmo quando as possibilidades de algo acontecer são impossíveis sob a perspectiva humana. Simeão e Ana são exemplos assim.

Simeão era um homem justo e piedoso que recebeu a revelação de Deus de que conheceria o Salvador do mundo antes de morrer. Ana, por sua vez, era uma profetisa, já idosa e viúva, sua vida era estar no Templo de Deus, em Jerusalém. Um esperava ver a grande promessa de Deus –  anunciada desde o Éden – ser cumprida, e a outra vivia seus dias de forma a ser surpreendida mesmo em idade avançada.

Eles esperavam pelo consolo de Israel, mas o que receberam foi a alegria de ver e tocar a salvação do mundo. Em um cenário onde dons espirituais são frequentemente distorcidos e usados de forma desonrosa, Simeão e Ana nos lembram que Deus continua atuando sobrenaturalmente. Ele se revela na simplicidade: em um menino no templo, no colo de seus pais humildes, apresentado diante do Senhor.

Os pastores, os magos e o mundo: expectativa de um rei terreno, realidade de um Rei eterno

O povo daquele tempo vivia sob opressão e sofrimento no Império Romano. As profecias anunciavam um rei dos judeus, e muitos esperavam alguém que trouxesse poder político e honra nacional.

Os magos chegaram a Jerusalém procurando esse “rei dos judeus”, imaginando grandeza e esplendor (Mt 2:1–12), mas o que encontraram foi um menino em Belém — humilde, comum aos olhos humanos, mas o Rei dos reis.

Deus não age segundo os critérios humanos de grandeza. Ele escolhe a simplicidade para revelar Seu poder. Assim como naquele primeiro Natal, Ele continua transformando nossas expectativas e nos mostrando que Sua glória é percebida não na força do mundo, mas na mansidão de um pequeno bebê envolto nos braços ternos de sua mãe.

Expectativas superadas pelo propósito eterno

Quando lemos em João 1:14 que o Verbo se fez carne e habitou entre nós e na Carta aos Gálatas 4:4-5 que, na plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, compreendemos o que o Natal realmente significa: Deus entrou na nossa história. Ele não apenas nos deu uma criança, mas enviou o Salvador para morrer e ressuscitar por nós.

Todos os personagens envolvidos no nascimento de Jesus tinham expectativas legítimas: um lar simples, um filho desejado, consolo para Israel, um rei libertador. Mas Deus revelou algo infinitamente maior: o Emanuel, Deus conosco. Ele não apenas cumpre expectativas; ele as transcende.

O Natal nos convida a entregar ao Senhor nossas esperanças mais profundas. Ele conhece cada sonho nosso, cada espera silenciosa, cada plano frustrado e, porque é Pai, sempre realiza mais do que pedimos ou pensamos (cf. Ef 3:20).

Todos carregamos expectativas sobre a vida e sobre Deus, mas o Natal nos lembra que, se confiarmos unicamente nele, nossas esperanças serão transformadas.


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