Resgatando o Natal – A Humildade do Presépio: O Que Podemos Aprender com a Simplicidade de Jesus

Que momento maravilhoso para falarmos sobre simplicidade, não é mesmo? Talvez esse texto poderia vir em uma hora menos… como podemos dizer… comercial. Quando o cartão de crédito está estourando o limite e já estamos na segunda opção de pagamentos, ler sobre simplicidade pode causar um pouco de indigestão. Brincadeiras à parte, toda hora é hora de aprendermos mais sobre a simplicidade do nosso Mestre Jesus Cristo, ou sobre qualquer que seja o assunto que Ele deseja nos ensinar. Como disse, Ele é nosso Mestre, e com o Mestre, nos assentamos aos Seus pés como Maria fez, ouvindo atentamente o que Ele tem a dizer. 

Jesus foi realmente simples quando estava aqui na Terra?

Não podemos negar que existia algo que era glorioso sobre quem Jesus foi. Pense nos milagres de cura, multiplicação de pães, possibilidades de andar sobre o mar furioso. Somente nesses três exemplos, as contas médicas vão pela janela, o orçamento de mercado permanece intacto e a necessidade de comprar um meio de locomoção, inexistente. Então Jesus Cristo foi, realmente, simples? Veja o que Ele nos diz em Mateus 28:18: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.” Ainda que não consigamos compreender a magnitude dessa afirmação por completo, sabemos que Ele pode fazer todas as coisas e tem todos os recursos, tanto no céu quanto na terra, à sua disposição. Como então pode haver simplicidade em alguém assim?

Muitas vezes usamos o termo “simplicidade” para definir algo menos pomposo ou alguém que é desprovido de recursos. Talvez seja esse o motivo pelo qual, ao olharmos para a manjedoura e as circunstâncias do nascimento do nosso Senhor, sejamos levadas a definir Sua simplicidade nesses termos. Sim, sabemos que Maria e José era um casal que não participava da elite social de seus dias, e podemos chegar a essa conclusão pela oferta que foi entregue ao templo para a cerimônia de purificação, quando Jesus é apresentado (Lucas 2:22-24). Sua oferta foram dois pombinhos ao invés de um cordeiro, o que a lei em Levítico permitia, caso o casal fosse “demasiadamente pobre” (Lv 12:1-8). Então sim, sua família não tinha recursos financeiros, e Jesus claramente cresceu lidando com esses tipos de limitações. 

A simplicidade de Jesus, porém, foi muito além de limitações financeiras. Lembramos, por exemplo, do que acontece em Lucas 9, quando uma alma entusiasmada afirma querer seguir Jesus onde quer que ele fosse. Àquela altura, Ele já tinha começado seu ministério público, e disse que não tinha onde repousar a cabeça. Ou seja, Ele não tinha preocupação alguma quanto a onde se hospedaria em suas viagens e peregrinações. Ele sabia que o Pai iria prover todos os detalhes. Nessa época de sua vida, tinha também deixado a carreira de carpinteiro e passou a depender de ofertas e da generosidade do povo para que seu ministério acontecesse, assim como seus discípulos. Sua simplicidade estava firmada em sua confiança na provisão do Pai.

A verdadeira simplicidade que encontramos em Jesus Cristo é aquela que está entrelaçada com a visão de mundo, as virtudes e caráter dEle mesmo. Não fosse a profecia em Isaías sobre o Cristo nascer em uma manjedoura, Ele poderia muito bem ter nascido em um berço de ouro e ainda assim nos ensinar sobre simplicidade – assim como Ele está agora assentado à direita do Pai nos céus, cheio de glórias e honras, e nada nesse contexto pode nos impedir de continuarmos vendo a simplicidade em Seu ser. 

Estou gerindo um bebê enquanto escrevo esse texto, e mal posso esperar pelo momento no qual eu possa ter, finalmente, um cantinho organizado para sua chegada. Cobertores fofinhos, berço limpinho, luz ambiente, cadeira de amamentação equipada de maneira a nos proporcionar momentos tranquilos e preciosos entre mamãe e bebê. A maioria de nós temos mais recursos financeiros à nossa disposição do que nosso Mestre tinha. Nossas crianças comem mais variedades e dormem de maneira mais confortável do que Ele poderia enquanto estava aqui. Porém a simplicidade da qual nosso Senhor mostrava através da Sua vida, entre os acontecimentos da manjedoura até a cruz, nos mostram que ela está na maneira como Ele viveu e dependeu do Pai; no valor que Ele deu às coisas, ideias e pessoas. 

Ser simples é saber o que realmente importa: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmas. Ser simples é se importar com o que Jesus se importou e não tornar nossos fardos pesados sem necessidade (inclusive aquela fatura extrapolada). É confiar em um Deus que pode todas as coisas mesmo quando as circunstâncias continuam apertando de todos os lados. A viúva que entregou suas duas moedas demonstrou simplicidade por depender inteiramente dos cuidados do Senhor e entender que o que tinha jamais iria satisfazer as suas reais necessidades (Marcos 12:41-44). Maria se assentou aos pés de Jesus sabendo que nenhum serviço seria suficiente e queria passar seu tempo com o que era mais valioso do que as valorosas tarefas domésticas (Lucas 10). Jesus mostrou simplicidade ao multiplicar pães para uma multidão e também ao receber o serviço da mãe de Pedro e a hospitalidade de Zaqueu (Mt 14:13-21 e Mc 1:29-45). 

Você é uma pessoa simples? Você tem vivido seus dias com a simplicidade de Jesus Cristo, independente de ter pouco ou muito? Como enxergamos os recursos à nossa disposição? Realmente confiamos em Sua provisão em todas as horas – tanto para aquelas coisas que o dinheiro pode comprar quanto para as que não? Que possamos refletir em como a confiança que temos no nosso Deus se traduz no nosso dia a dia e que jamais esqueçamos que a verdadeira simplicidade se encontra em nosso espírito, e em nenhum outro lugar: 

“Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos céus” (Mt 5:3). 


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