O Impacto da Mãe em um Filho

Hoje foi um dia onde a garganta deu um nó e as lágrimas escorreram em meu rosto cansado e abatido. Meus pensamentos fluíram numa correnteza que desembocou em uma voz dentro de mim que clamou “como é difícil essa tarefa, Senhor! Dai-me graça!”. Minha filha tem idade de 1 ano e 4 meses e sua pequenez de tamanho não impede de demonstrar grandes pecados da sua personalidade que muitas vezes são difíceis de lidar. Ensinar nos caminhos do Senhor, ser exemplo, corrigir e admoestar, tudo isso tenho como uma bandeira que é hasteada todos os dias, a fim de lembrar que na tarefa de educação de filhos, além de tantas outras coisas, ser influência ao longo da sua vida é algo que Deus espera de mim como sua mãe.

O ponto alto deste texto é justamente levar você, querida mãe, a não viver a maternidade desejando impactar a vida do seu filho com um peso que beira o legalismo e a autossuficiência. Uma maternidade em que não há dependência do Senhor e reconhecimento de imperfeição é frustrante e cheia de medo. Quando vivemos a maternidade olhando para nós mesmas e nossa capacidade de cometer falhas, o desespero vem.

Recentemente recebi uma mensagem de uma amiga que dizia, “Deuteronômio 6:5-9 tem martelado minha mente nos últimos dias. Tenho pensado que esse texto é profundo, é sobre ser exemplo, sobre impactar a vida do meu filho, mas relaxo nisso às vezes e isso não deve acontecer…”. Eu entendi sua preocupação, de fato ela entendeu a importância de como uma mãe pode e deve influenciar seus filhos a todo tempo, ou melhor, no dia a dia. Mas percebe a frustração em sua fala? O medo de não saber como agir diante de uma falha nessa tarefa? Somos assim. Teimamos em tomar para nós um peso que Jesus já carregou.

É assim mesmo que, pela nossa autossuficiência, procuramos solucionar os nossos problemas, buscando alternativas em tudo que esteja ao nosso alcance fazer. Quando apostamos nossas esperanças nos recursos disponíveis em nós mesmas, e não buscamos a direção de Deus, findamos no vazio. Por isso, não queira viver a maternidade sem consultar o Senhor. Somente quando Deus for seu único recurso e única esperança, você poderá experimentar a graça de depender Dele plenamente (2 Co 12:9).

Um coração dependente do Senhor entende que por melhor exemplo que eu possa ser, sempre irei falhar em algo, e é aqui, nesse reconhecimento de insuficiência, que ensinamos para os nossos filhos a lição mais valiosa: precisamos de um Salvador, assim como nossos filhos. Nossas melhores ações e nossos melhores esforços contêm a falha de uma natureza pecadora e é com nossas falhas e erros que apontamos para eles que ambos precisamos de Cristo. Vivendo em dependência do Senhor, nosso amor por Cristo levará graça ao nosso coração e ao do nosso filho. Amar a Jesus tira o peso da autossuficiência e do legalismo e nos leva a viver o Evangelho da graça,no qual Jesus nos convida a um jugo suave e um fardo leve. Ele é nosso alívio.

Contudo, ter fé em Deus não nos isenta de ter problemas e aflições. Confiar nele será determinante na maneira como lidamos com as nossas dificuldades diárias. Precisamos, nesta tarefa de, muita paciência e compreensão, e quanto mais entendemos sobre a importância do nosso papel em Cristo, melhor é nosso desempenho e melhor nossos filhos terão equilíbrio na vida e estarão mais dispostos a ter um coração inclinado a buscar em Cristo sua identidade.

Como mãe, abro em vulnerabilidade meu coração para te dizer que por muito tempo me via aflita quanto à minha capacidade de exercer essa missão. Deus me concedeu, em graça, o caminho em que meus esforços melhor eram aproveitados, e olha só, nunca a resposta esteve em mim mesma. Vez ou outra ainda me pego lutando quanto a isso, mas então percebo que mais uma vez tinha tirado os olhos da soberania do Criador e posto na dependência da criatura.

Ah, céus, quanta falta de sabedoria e pecados havia em meu coração! Como criatura eu estava, assim como aconteceu na Queda, querendo criar um trono no mesmo parâmetro do Criador para não depender Dele e ser plenamente suficiente. Eva, que viria a ser a mãe de todos os seres humanos, não estava com um coração muito diferente do meu – ou do seu. Em contrapartida vemos a humildade de Deus, cheio de amor e graça, que ao invés de mandar naquele momento apenas sua ira, revela, além dela, a providência através daquele que iria vir a se levantar como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E é assim, minha querida, que eu te convido e te desafio a retirar todo o peso de suficiência e independência e descansar nesse Deus abundante em misericórdia e amor. Impactar nossos filhos através da nossa vida é antes de tudo depender plenamente de Deus.

Como você está se alimentando espiritualmente? Você almeja a Palavra de Deus acima de todas as informações? Sei que nos preocupamos todos os dias sobre “como fazer” qualquer coisa e isso inclui “ser a mãe perfeita”. Se esforçar para aprender coisas práticas para a vida não é o problema. O problema é viver na ilusão de que posso fazer coisas por esforço próprio enquanto digo, da boca pra fora, que preciso de Deus. Percebe a nuance?

Minha querida se esforce e realmente almeje ser alguém que impacte a vida do seu filho, seja presente lhe dando amor, segurança, atenção, instrução espiritual, mas lembre-se que só podemos ensinar nossos filhos a serem bons servos, se primeiro, formos verdadeiras servas de Deus; e entendendo isso não podemos fazer nada para a glória de Deus sem a orientação e ajuda do Espírito Santo. Mães que nutrem sua alma com a Palavra de Deus prosperam no propósito maior da maternidade, e mais uma vez, a perfeição não é pré-requisito nesse propósito.

Numa época onde a maternidade tem por fim viver a perfeição,e, exibir essa perfeição, encontrar nosso verdadeiro lugar – mesmo em meio à imperfeição- é confortante demais. Nossa esperança é mais durável que as promessas vazias de autorrealização e encorajamento do otimismo do copo-meio-cheio. O Evangelho muda a maneira como enxergamos as nossas fraquezas e limitações e nos faz ver graça no hoje e esperança no amanhã. Amar a Cristo transforma nossa maternidade. Deus liberta a mãe cristã do domínio das trevas e a transfere para o reino do seu Filho amado, em que ela tem redenção e perdão dos pecados (Cl 1:13).

Sua identidade em Cristo a permite viver incontáveis alegrias e com certeza influenciará seu filho mesmo em meio às suas falhas. O Evangelho pode moldar a nossa casa quando nós, mães, percebemos que não alcançaremos os padrões de excelência que desejamos. Se quisermos dar graça aos nossos filhos, então devemos estar dispostas a recebê-la de Deus primeiro. Nele encontramos misericórdia em tempos de necessidade – que é sempre.

Daqui a vinte anos pretendo voltar e ler esse texto buscando fazer uma retrospectiva dos frutos que colhi desde então. Espero de todo coração, e faço disso uma oração para que minha filha possa me agradecer pelo meu esforço em priorizar Cristo, mostrar graça e não apenas obras, arrependimento e não falsa perfeição, preocupação mais com o caráter do que com as habilidades, ensinar a alegria de poder servir e mostrar o que é o amor sacrificial.

Até lá, sei que falhas existirão, mas sei que quanto menor eu me enxergo, maior Deus se torna para mim e em mim. Deus nos abençoe e nos ajude.


Esse post faz parte da nossa série de postagens de Maio com o tema “Maternidade”. Para ler todos os posts clique AQUI.