A Amizade como Disciplina Espiritual: Jesus, o Amigo Perfeito
Eu não sei se aquela foi minha primeira experiência ganhando um sorteio, mas sei que é a primeira de que me lembro. Era domingo de manhã e o locutor do programa de rádio havia anunciado, no início do programa que um CD seria sorteado ao final da programação. Sim, um CD. Pode ser que você da geração Z não esteja familiarizada com esse artefato, mas para nós, millennials, CDs eram os streamings de música da época. Um fato interessante, é que quando esse tipo de sorteio acontecia, o título do CD só era anunciado no final do programa. Eu sabia disso porque aquele era um programa de rádio da minha igreja.
Quando o locutor falou meu nome, eu fiquei radiante! Tinha 8 anos e acabara de ganhar um CD novinho de Crianças Diante do Trono chamado “Amigo de Deus”. Eu não sabia, mas, nos anos seguintes, aquelas músicas me ensinaram uma lição preciosa para toda a vida.
“Eu poderia procurar pra sempre, sei que não iria encontrar”¹
Como disse C. S. Lewis em seu livro Os Quatro Amores, “a amizade é desnecessária, como a filosofia, como a arte… Não tem valor de sobrevivência; antes, é uma daquelas coisas que dão valor à sobrevivência.”
Todos gostamos de amigos, mas quem nunca se decepcionou com um? Amizades trazem cor à rotina e embelezam fases da vida. Porém, como qualquer relacionamento entre pecadores, a amizade também foi atingida pela queda e padece dos problemas causados pelo pecado. Desentendimentos, ciúmes, palavras afiadas, essas e outras coisas já me feriram em amizades e podem ter ferido você também. Mas, sendo honesta, eu também já estive do outro lado, o lado de quem fere e desaponta um amigo. Você também?
Por envolver intencionalidade e disposição para perdoar e compreender, podemos dizer que amizades são difíceis. Que fique claro, isso não é um desencorajamento. Coisas boas são difíceis mesmo, o que vale a pena, custa. No entanto, talvez você já tenha se decepcionado tanto com amizades durante a vida que pense que viver sem amigos seja mais seguro. Quero te fazer olhar para esse presente de Deus de outra forma, ajustando suas expectativas sobre os amigos e fixando os olhos em Cristo Jesus.
“Um amigo igual ao meu Jesus, ele nunca vai falhar”
Se você já cansou de se decepcionar com amizades e acredita que abrir o coração para ser amiga de alguém é sinônimo de dor, eu sinto muito, de verdade. Imagino que você tenha boas razões para se sentir assim. Contudo, quero te levar a olhar para Jesus Cristo, o perfeito amigo e, quem sabe assim, as amizades daqui para a frente se tornem mais leves aos seus ombros.
Muitas coisas podem ser a causa de decepção em amizades: injustiça, fofoca, falsidade, traição. Hoje quero trazer à luz uma dessas causas e ver na Bíblia como combatê-la: a expectativa elevada.
Assim como eu já o fiz, é possível que você tenha esperado demais de algum amigo e se frustrado por isso. É uma sensação terrível. “Eu me doei tanto e olha o que ela fez!”, quem nunca falou isso? Queridas, é verdade que algumas amizades irão nos decepcionar gratuitamente, porém, às vezes, colocamos sobre as costas de nossos amigos um fardo que eles não são capazes de carregar: o fardo da perfeição.
Queremos amigos presentes a todo momento, com as palavras certas nos momentos certos, com o conselho adequado e o timing perfeito. E, quando descobrimos que aqueles que chamamos de amigos não são assim, a frustração vem. Nessas horas, precisamos ser lembradas pelo Espírito Santo que Jesus Cristo, e somente ele, é o perfeito amigo!
“Jesus é o amigo melhor!”
Nenhum amigo, por mais compreensivo e presente que seja, pode ser comparado ao nosso Cristo Jesus. Antes mesmo de o conhecermos, ele nos amou, nos escolheu e nos fez parte de um agraciado grupo de amigos, aqueles por quem ele deu sua própria vida como é dito em João 15:13: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos”.
Nessa passagem bíblica, Jesus Cristo afirma que já não nos chama servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas amigos, porque tudo o que ouviu do Pai nos deu a conhecer. Isso nos mostra que a amizade com Cristo Jesus envolve intimidade. Ele não nos salvou e manteve uma distância segura para não “macular sua santidade”. Não! Ele nos convida a caminhar com ele e a conhecer seu coração.
Alguns amigos, quando conhecem nossas falhas mais profundas, nos abandonam sem olhar para trás. Mas Jesus, ah… Jesus Cristo é o amigo que nos ama e abraça apesar de nossas falhas e em nossas falhas. Ele conhece nossas dores, fraquezas e pecados, aqueles que não ousamos nem contar para ninguém, e ainda assim nos ama. Ele se compadece das nossas limitações porque viveu como homem e experimentou o sofrimento. Ele nos entende como ninguém mais pode.
Jesus Cristo é o amigo que nos abraça no fundo do poço, mas não nos deixa lá. Ele nos ama demais para nos abandonar no pecado, mas também nos ama o suficiente para caminhar conosco no processo de santificação. Ele corrige, ensina, restaura e conduz até que sejamos moldados à Sua imagem. E não é assim mesmo que funciona? Acabamos por nos parecer com aquelas pessoas com quem mais convivemos. É isso que Jesus Cristo provê quando caminhamos com ele dia a dia, um caráter que vai sendo moldado e se tornando mais parecido com o dele.
Como disse Lewis, as amizades dão valor à sobrevivência. Que presente é ter amigos, pura graça do Senhor. Porém, lembremos sempre: Jesus é o amigo melhor! Somente ele é o amigo perfeito e apenas dele devemos esperar pura santidade. Hoje mesmo, nesse momento, ele quer nutrir uma amizade com você. Ele te escolheu como uma salva, uma filha, uma amiga. Que privilégio imensurável!
1. Os subtítulos do texto são trechos da música “Amigo melhor” – Crianças Diante do Trono.
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