Misericórdia, hospitalidade, piedade e coragem – Lições que aprendi com as mulheres da Reforma

Neste mês de outubro celebramos os 500 anos da Reforma Protestante. Quinhentos anos desde que as 95 teses foram afixadas por Martinho Lutero na porta da capela de Wittenberg na Alemanha. Sem sombra de dúvida, Lutero é o primeiro nome que nos vem à mente quando falamos de Reforma. De fato, ele teve um papel fundamental nesse processo, no entanto, não devemos deixar que a Reforma se resuma a um ou mais personagens específicos.

Lutero, Calvino, Knox, Savonarola, Wycliffe, Zwínglio e tantos outros, foram apenas coadjuvantes de uma história cujo protagonista é o próprio Deus Santo, agindo por meio de pecadores.

É também muito comum que, ao falarmos de Reforma Protestante, citemos de cor nomes de homens que fizeram parte deste processo desconhecendo, no entanto, as mulheres que também tiveram participação. Embora, majoritariamente, a ênfase seja dada aos homens, Deus usou muitas mulheres, direta e indiretamente, neste importante momento de nossa história. Quando observamos a biografia de algumas delas vemos que seu amor pelas Escrituras não se expressava somente em palavras, mas em valores e ações.

Em tempos onde a feminilidade bíblica tem sido fortemente questionada, elas são um exemplo de como fé e feminilidade caminham lado a lado. Viver os valores bíblicos acerca da feminilidade não significa alienar-se da Teologia, nem abrir mão do estudo e do conhecimento. Por outro lado, se o conhecimento não tiver a finalidade de nos tornar mulheres piedosas, misericordiosas e humildes, então, ele é vão. Ao olhar a vida dessas mulheres, aprendo que Deus nos chama a servi-Lo com todas as ferramentas que possuímos: nossa família, nosso lar, nossos livros, conhecimento, serviço… Cada aspecto de nossa vida pode e deve ser usado para glória de Deus. As mulheres da Reforma não foram heroínas, eram mulheres pecadoras e falhas como eu e você; esposas, filhas, mães, irmãs. Mulheres tão diferentes, mas, movidas por um único desejo: servir à causa do Evangelho. Muitas mulheres da Reforma poderiam ser citadas neste texto, mas, gostaria de escrever sobre quatro, cujas vidas me ensinam sobre Misericórdia, Hospitalidade, Piedade e Coragem.

Se o conhecimento não tiver a finalidade de nos tornar mulheres mais piedosas, então ele é vão. Click To Tweet

Misericórdia – Margaret Blaarer

Irmã do reformador Ambrose Blaarer, Margaret era uma jovem intelectual, versada na literatura clássica, conhecida por sua vida de piedade e boas obras. Com profundo temor e reverência, ela auxiliou seu irmão e a todos quanto tiveram a oportunidade de estar em seu convívio. Margaret foi um exemplo prático de complementaridade bíblica entre homem e mulher: não temos relatos de que tenha sido casada, mas, ao passo que seu irmão Ambrose se empenhava no labor do ensino e da pregação, Margaret “cuidava das mesas”, atendendo aos necessitados em suas aflições.

E quem ousaria dizer que seu labor foi insignificante comparado ao de Ambrose? Pelo contrário, por meio de seu trabalho, ela não apenas deu suporte aos necessitados, mas também a seu próprio irmão: “Margaret, a melhor das irmãs, se comporta como uma arquidiaconisa de nossa igreja, expondo a sua própria vida ao perigo. Diariamente, ela visita as casas onde os enfermos da peste estão sendo cuidados […] Ore ao Senhor, eu lhe suplico, para que Ele não permita que ela, que é o nosso único conforto, seja arrancada de nós”, escreveu Ambrose em 5 de novembro de 1541. Ao contrário de muitas jovens de sua época, que se enclausuravam nos conventos para servir ao Senhor, Margaret escolheu dedicar sua vida exercendo atos de misericórdia na esfera da vida cotidiana, longe dos conventos.

Ela foi uma mãe para muitos – o reformador Martin Bucer sempre se referia a ela em suas cartas como “mãe” e “irmã”, apesar de ela ser mais nova que ele – uma irmã de misericórdia, cuja alegria estava em cuidar das vidas ao seu redor.

Margaret foi incansável em fazer o bem: ensinou muitas crianças pobres a ler, acolheu a muitas viúvas e órfãos em seus sofrimentos, organizou a primeira sociedade de auxílio às mulheres da Igreja Protestante e nos deixou um belíssimo testemunho de Misericórdia.

Ler sobre a história dessa mulher, me faz refletir sobre o quanto tenho desenvolvido a misericórdia em minha vida. Margaret ia a lugares que certamente não eram confortáveis ou perfumados para uma distinta donzela. Sendo uma jovem culta, numa época em que poucas mulheres tinham acesso à educação formal, ela poderia ter se preocupado em usar seu conhecimento para obter prestígio em benefício próprio. Afinal, por que desperdiçar anos de estudos cuidando de pobres? Dedicar sua vida ao próximo não a tornou menor, não desperdiçou seu conhecimento, pelo contrário, nenhum conhecimento é desperdiçado quando aplicado em benefício ao próximo. Estou certa de que ao exercer misericórdia, Margaret se tornou ainda maior: maior que todo seu conhecimento e maior que todas as suas expectativas.

Diferentemente daquela época, hoje vivemos um tempo em que as mulheres têm acesso à educação formal, mas essa educação tem um preço: dizem que se você obtém uma formação, é seu dever investir seu conhecimento na academia ou em benefício próprio (sucesso, bem-estar e melhores salários). Caso contrário, você o estará desperdiçando. Afinal, quem é que estuda tanto para, no fim das contas, cuidar de feridas, cuidar de crianças, servir alimento sem receber um salário por isso?! Parece lógico, mas essa é uma visão secular e não bíblica. Nosso maior compromisso não é com nossos diplomas, mas com o reino de Deus e a sua justiça. O pensamento reformado não negligencia o conhecimento, muito pelo contrário! Ao invés de fazer dele um fim em si mesmo, o coloca sob a ótica correta, a serviço de Deus. Talvez eu tenha dezenas de trabalhos da faculdade para entregar, um TCC para finalizar, mas, se eu não puder estender a mão a um necessitado, ou servir melhor àqueles que estão ao meu redor, será que estou cumprindo meu primeiro chamado? O conhecimento nunca deve ser empecilho ao exercício da misericórdia. Aquele que oprime o pobre insulta o seu Criador, mas aquele que O honra tem misericórdia dos necessitados. (Pv 14:31).

Hospitalidade – Katherine Zell

Esposa do reformador de Estraburgo Mattew Zell, Katherine foi chamada de “mãe dos reformadores”. Ela fez de sua casa um lar para os reformadores que ali chegavam como refugiados. Calvino, Bucer, Zwínglio, entre outros foram alguns dos que tiveram a oportunidade de ser servidos em sua mesa. Certamente, Katherine foi uma Marta de seu tempo: hospitaleira e atenta às necessidades de seus hóspedes.

Era muito comum ter em sua casa, por semanas, pessoas a quem servia de manhã, tarde e noite sem receber nenhum salário por isso. Ela estava ciente de seu esforço quando escreveu: Eu honrei, amei e abriguei muitos homens excelentes e instruídos, com cuidado, trabalho e despesa”. Ela dedicou-se física, emocional, espiritual e financeiramente a acolher seus hóspedes como as Escrituras orientam. Mas, todo seu esforço era também recompensado: “Eu escutei suas conversas e pregações, eu li seus livros e suas cartas e eles estavam felizes em receber os meus [livros e cartas].” Além do privilégio de ouvir a seu marido, Katherine tinha a oportunidade de ouvir outros homens sábios e instruídos. Que imenso privilégio! Certamente ela recebeu infinitamente mais!

O fato de dedicar-se à vida no lar não fazia de Katherine uma mulher menos intelectual. Ela dedicava-se ao lar e ao estudo da Palavra. Foi uma grande defensora das visões reformadas; escreveu livros e panfletos sobre a fé cristã. Dotada de profundo conhecimento bíblico e de uma eloquência natural, ela não desperdiçava uma única oportunidade de difundir o Evangelho por palavras ditas e escritas, “com destreza utilizava a sua caneta em prol da verdade e da paz sempre que achava necessário” [1]. Ela foi como Marta ao se preocupar em servir seus hóspedes da melhor forma e foi como Maria, pois aproveitou cada oportunidade na companhia desses homens para aprender mais acerca das Sagradas Letras.

Katherine dedicou tempo e atenção à boa administração do seu lar; dedicou-se à sua família, e fez de seu lar um deleitoso abrigo para refugiados e, e fez cada um que chegasse à sua porta parte de sua família. Foi também uma defensora da fé reformada por meio de sua caneta e sua oratória. Sua teologia foi difundida por meio de seus escritos, debates e também por meio das inúmeras refeições que serviu generosamente. Com ela aprendi que todo lar cristão deve ser um abrigo para acolher irmãos na fé.

Vivemos numa sociedade consumista e individualista, trabalhamos incessantemente para deixar nossas casas bonitas e abastecidas, mas recebemos cada vez menos pessoas. Seja por falta de tempo ou disposição, geralmente pensamos duas vezes antes de receber pessoas em nossa casa. Mas, quando olho para a vida de Katherine vejo o quão inerente à fé cristã é abrirmos as portas de nossas casas, colocarmos nossa melhor louça à mesa e prepararmos nossa melhor refeição. A hospitalidade é dever de todo cristão e Cristo é nosso maior exemplo: Ele partiu nos deixando a promessa de que iria preparar seu lar para nos receber, e que cearia conosco. Quão profundo é exercemos essa mesma prática desse lado da eternidade. O fato é que em nossos dias temos negligenciado a hospitalidade até mesmo com os membros de nossa própria casa! Cada um se vira a seu modo, cada um faz o seu prato, come quando quer, onde quer. Não há mais lugar à mesa, não há comunhão. Isso dificulta ainda mais a ideia de receber pessoas de fora. Se não pudermos ser hospitaleiros com os membros de nossa casa, como seremos com os de fora? Desenvolver o dom da hospitalidade deve começar pelos nossos. É nosso dever servir bem, acolher e atender às necessidades daqueles que o Senhor nos confiou. De nada vale o conhecimento da Palavra se não resultar em atitudes que fazem parte do caráter cristão. Como Katherine, sejamos Marias em nossa devoção e Martas em nosso zelo por aqueles a quem recebemos. A Escritura nos adverte: Não vos esqueçais da hospitalidade” (Hb 13:2).

Piedade – Anna Reinhard

Esposa de Ulrich Zwínglio, Anna é um caro exemplo de piedade. Quando conheceu Ulrich Zwínglio ela era uma piedosa viúva lutando para sustentar e educar sua família. Suas virtudes cristãs, seu amor e dedicação atraíram a atenção do reformador, cuja compaixão o moveu a auxiliar esta família. Com o passar do tempo as relações entre ambos foram se tornando cada vez mais próximas, até que em 1522 Anna se tornou esposa de Ulrich Zwínglio, uma “amada assistente”, como ele costumava dizer. Seu cuidado e dedicação para com os pobres e necessitados era evidente, o lar da família Zwínglio nunca estava vazio e suas portas nunca se fechavam.

Anna era foi uma esposa fiel e incansável, uma coroa para seu marido. Ela o alegrava e também compartilhava de seus sofrimentos. Além de ser uma ouvinte assídua dos sermões de Zwínglio na congregação, ela também foi sua primeira ouvinte quando ele começou a traduzir a Bíblia. Ele lia seus rascunhos para ela em sua língua materna, fazendo com que Anna amasse ainda mais a Escritura. Para ela não havia maior alegria do que aprender sobre a Palavra de Deus. Ao lado de seu marido, ela lutou para que a Bíblia fosse introduzida nos lares de cada família de sua congregação.

Mas, uma vida de piedade não nos priva de sofrimentos. Cristo é o maior exemplo disso e Ele afirmou que não seria diferente na vida de seus seguidores. Ao longo de sua vida, Anna enfrentou muitas dificuldades e perdas. A vida de Zwínglio era sempre uma enorme preocupação para ela. Ele vivia sob constantes ameaças e ataques. Como uma esposa zelosa, Anna não gostava que Zwínglio saísse desacompanhado e quando não podia estar com ele, solicitava a algum amigo que o acompanhasse em suas saídas. Uma nuvem de ameaças pairava sobre a vida do reformador e Anna temia o pior. Enquanto Zwínglio batalhava pela Verdade nas ruas de Zurique, Anna vencia suas próprias batalhas colocando a vida de seu esposo e família nas mãos do Senhor. Ela foi uma fervorosa intercessora de seu esposo, um apoio constante em seu ministério. Foram muitas as noites em que ela reuniu os irmãos para intercederem por ele e, com certeza, suas orações o acompanharam ao longo da jornada enquanto o Senhor permitiu.

Em outubro de 1531 Anna, que já havia sido viúva antes de casar-se com Zwínglio, recebeu a trágica notícia do falecimento de seu amado esposo. Zwínglio fora morto, esquartejado e queimado por seus adversários. Tal notícia lhe trouxe imenso pesar, mas, não bastasse isso, Anna recebeu a notícia de que seu filho Gerold, seu irmão e seu cunhado também haviam sido mortos à espada e seu genro ferido de morte. Que golpe terrível para o coração de uma mulher, uma esposa e uma mãe! Foram dias difíceis, mas, em meio ao sofrimento Anna pôde contemplar o amor e cuidado de Deus confortando sua alma e levantando pessoas para a ajudarem. Assim como Jesus proveu para sua mãe um filho que a amparasse, o Senhor proveu para Anna um filho, o jovem Henrique Bullinger que a amparou e cuidou até o fim de seus dias.

“De sua morte, em seis de dezembro de 1538, Bullinger comentou: ‘Eu não desejo um final mais feliz para uma vida do que este. Ela partiu placidamente, como uma tênue luz, e foi para o seu lar e para o seu Senhor, louvando e nos encomendando a todos à graça de Deus.’ A sua morte foi como sua vida: doce, bela e serena”. [2]

Anna não viveu muitos anos após esse doloroso episódio. Pouco se sabe sobre seus últimos anos, raramente saía de casa, exceto para ir à igreja. No final de sua vida, ficou muito doente, mas suportou com paciência mais este sofrimento. Sua vida de piedade e contentamento é um exemplo a ser seguido. Foi uma esposa amável e atenta às necessidades de seu marido e a maior incentivadora de seu ministério. “Bênçãos, após as trevas e a escuridão da noite”, essas foram as últimas palavras que ouviu de Zwínglio, e ela prosseguiu crendo que, após os sofrimentos dessa vida, eles se encontrariam “na luz de um novo dia no céu”.

Olhar para a vida de Anna me faz refletir que uma vida de piedade cristã não nos isenta de sofrimentos. Eles nos assaltam quando menos esperamos, muitas vezes, sem explicação. Apesar disso, Anna nunca deixou de buscar ao seu Senhor, ao longo de sua vida ela fortaleceu suas mãos e firmou seus joelhos. Mesmo quando nuvens de tristeza a alcançaram, seus olhos permaneceram voltados para Cristo. Este é um belo exemplo de piedade e perseverança. Nossa verdadeira devoção a Deus é provada pelo sofrimento. A alma piedosa passa pelo fogo para se tornar mais pura, mais contrita e quebrantada. Se desejamos ser mulheres piedosas, não devemos estranhar as dificuldades, mas estar alicerçadas na Palavra para que quando elas surgirem, Cristo seja glorificado em nós.

Coragem – Jeanne D’Albret

As mulheres da Reforma foram marcadas pela coragem. Cada uma foi corajosa por professar e não abandonar sua fé numa época em que o Romanismo imperava. Mas, dentre elas, há algumas cuja coragem se destaca. Tal é o caso de Jeanne D’Albret, rainha de Navarra. Em 5 de dezembro de 1560, Jeanne fez a profissão de sua fé publicamente e, ao lado de seu marido Antoine, se tornou uma forte defensora da fé reformada. Porém, o tempo se encarregou de mostrar a legitimidade da fé de ambos. Enquanto Jeanne se tornou cada vez mais convicta, seu esposo acabou retornando à fé romana. Ele tentou forçá-la a desistir da fé reformada; numa das ocasiões em que foi pressionada, ela replicou: “[…] se eu tivesse, neste momento, meu filho e todos os reinos do mundo sob o meu domínio, eu preferiria arremessá-los todos ao fundo do mar do que fazer perecer a salvação da minha alma.” [3] Sua coragem e fidelidade a Deus lhe custaram caro: seu marido passou a persegui-la por ter introduzido o Protestantismo em suas terras; ela teve que buscar refúgio para salvar a própria vida e separar-se de seu filho para mantê-lo a salvo.

Embora Jeanne não tenha se deixado abalar, ela reconhecia sua fragilidade feminina, por isso, corajosamente, tal como Débora e Ester, reuniu homens dispostos a lutar. Em seu memorável discurso diante de um exército abatido, ela disse: “Soldados […] unamo-nos e concentremos novamente a nossa coragem para defender esta causa que nunca poderá perecer […]. É verdade que o desespero nos sobrepuja? O desespero, aquele sentimento vergonhoso e de naturezas fracas? Se eu, uma mulher, embora rainha, tenho esperanças, como podem vocês temer? […] Deus já nos resgatou de incontáveis perigos […]. Soldados, eu vos ofereço tudo o que está em meu poder e ao meu alcance […] Eu faço aqui um solene juramento diante de todos vós: eu juro defender, até meu último suspiro, esta santa causa que agora nos une, a causa da honra e da verdade” [4].

Ela tentou com todas as suas forças abolir a religião romana em Navarra, colocando sua própria vida e até mesmo a de seu filho em risco para impedir que houvesse um massacre contra os reformados. Sua relação com o povo havia se tornado quase maternal. Quando Jeanne adoeceu gravemente, os huguenotes – protestantes franceses – temiam sua morte e se perguntaram quem cuidaria deles, caso ela viesse a falecer. Mas, mesmo doente, sua coragem não era ofuscada, Jeanne não temia a morte, pois sua vida estava confiada aos cuidados do Senhor. “Eu nunca temi a morte. Eu não ouso murmurar contra a vontade de Deus, mas sinto grande e profundo pesar em deixar meu filho exposto a tantos perigos. Mas ainda assim, eu confio tudo isso a Ele”. Jeanne faleceu em 4 de junho de 1572 com sua Bíblia ao seu lado, um de seus últimos atos foi ordenar que seu filho permanecesse firme à fé reformada. Ela deixou um exemplo de coragem e fidelidade.

Quando olho para a vida de Jeanne D’Albret me lembro de outra rainha que, munida de fé e coragem, usou seu poder e influência para livrar o povo de Deus da tirania: a rainha Ester. Ambas foram mulheres corajosas em seu tempo, mulheres que arriscaram suas próprias vidas pela verdade de Deus.

Ao longo da História não houve uma única geração que não tenha odiado a Palavra de Deus. Em cada uma delas, cristãos tiveram que batalhar pela Verdade; não tem sido diferente conosco. Talvez nossas batalhas sejam silenciosas e veladas, mas, elas existem e acontecem diariamente, seja numa sala de aula, numa prova de vestibular, no trabalho, na criação dos nossos filhos. Onde quer que estejamos, estamos em luta e é preciso coragem para ir contra a mentalidade inimiga da fé em Cristo; é preciso coragem para viver uma vida pautada nas Escrituras.

Ao olharmos para essas mulheres, elas parecem ter sido perfeitas em tudo, tão distantes da nossa realidade! Mas, isso está longe de ser uma verdade, todas elas foram falhas e imperfeitas como nós. Foram mulheres reais com problemas reais, com TPMs e tudo o que acompanha a vida de uma mulher. Nem tudo o que fizeram foi exemplar, mas, o que se destaca em suas vidas é a devoção à Escritura. Essas mulheres do Livro buscaram aplicar as verdades bíblicas em suas vidas.

Temos tido acesso a tantos conteúdos, mas, por vezes, negligenciamos o principal: a leitura e meditação na Palavra. A história dessas mulheres não tem o poder de nos mudar, o último livro lançado pela editora “X” não pode nos mudar, mas a Palavra de Deus, atuando por meio do Espírito Santo, pode! Se você, assim como eu, deseja ser uma mulher piedosa, misericordiosa, hospitaleira, e corajosa, aprenda com essas mulheres: medite na Escritura!

O que aprendo com as mulheres da Reforma é que a Palavra de Deus é o único meio de transformação, o único meio de resistência em um mundo opressor.

Sim, precisamos celebrar os 500 anos da Reforma Protestante! Mas que nossa melhor celebração seja um retorno prático ao Livro que tem sacudido o mundo… há mais de 500 anos! Sola Scriptura.

Prisca Lessa
Site Teologia para Mulheres


[1] GOOD, James I. Grandes Mulheres da Reforma, p. 46, Ananindeua: Knox Publicações, 2009.
[2] Ibid., p.20
[3] Ibid., p.70
[4] Ibid., p.74